Saudações do Minú

 

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BRASIL - PEQUENAS DELÍCIAS

 

visitante!

 

Goiabada com catupiry  

Há casos de amor que marcam épocas e viram símbolo do que sempre dá certo. Romeu e Julieta, por exemplo, que é como brasileiro chama queijo com goiabada, é uma dessas combinações que sempre agradam. A plena nobreza do Romeu e Julieta nacional é a versão goiabada cascão com queijo Catupiry. A cascão é uma goiabada que esquece pedaços da fruta, às vezes até com semente, na massa do doce. E o macio Catupiry é um dos raros casos de queijo tipicamente nacional, ou melhor, paulista. Clamam os mineiros, autores da cascão mais sonhada no país, aquela da palha, que, na falta do Catupiry, um bom requeijão também compõe. O cremoso mascarpone das colônias italianas também dá um bom Romeu. Várias, como se vê, são as versões. Única é a delícia.

Romeu e Julieta

Cachoeiras

Banho de cachoeira

Velhos alquimistas existenciais nunca deixaram de sonhar com a fonte da eterna juventude. Ela existe? Modernos gerontologistas e cirurgiões plásticos em geral acham que - quase! Bom. Enquanto ciência e mitologia deblateram, vai aqui uma modesta sugestão: banho de cachoeira. Trata-se, em todo o caso, de uma difundida e brasileiríssima fonte de juventude. Não é à toa que um dos ícones turísticos do país são as cataratas do Iguaçu. Mas aquilo não é nada. Nossas serras e matas estão todas regurgitando de cachoeirinhas esfuziantes, generosas, delicadas, algumas quase secretas. E aí é chegar e deixar-se inundar. Não se sabe se é o verde em volta, a agüinha imantada de pedras ou o quê. A verdade é que de um bom banho de cachoeira todo mundo sai mais criança e mais próximo do reino dos céus. Que se saiba, nenhuma cachoeira nacional tirou até hoje patente de fonte de juventude. Mas todas elas, de certa forma e como pedem as escrituras, jorram para a eternidade.

Caju

Sensual em formas, cores e propriedades, o caju é nativo da Amazônia, donde espalhou pelo Nordeste e, via portugueses, por outros climas tropicais, África, Índia. Fruta mais generosa não há, cresce em solos secos, arenosos, pedregosos, dá 150 quilos por ano. A polpa propicia doces variados e um suco muito especial, a cajuína. Outra glória do caju é a castanha, uma especiaria de luxo que pode virar óleo comestível. Frita com camarão ainda verde, resulta num prato baiano que Jorge Amado exalta como afrodisíaco.

Cajú
Brigadeiro

Brigadeiro

Quando, no fim da vida, o poderoso Cidadão Kane sussurra a palavra Rosebud é muito aos poucos que a gente fica sabendo que se trata de algo fundamental, seu trenózinho de infância. Mal comparando, uma bela última palavra de brasileiro que se preze bem que podia ser: brigadeiro. No Brasil brigadeiro é o doce nacional dos aniversários. Criança sem brigadeiro vai ter que gastar muito com terapeuta na vida. E é um docinho tão simples. Ponha na panela uma lata de leite condensado com duas colheres de chocolate meio amargo, mais uma colher de manteiga. Em fogo brando, ir mexendo até a massa desprender-se do fundo. Aí é passar manteiga nas mãos e ir fazendo as bolinhas, que por sua vez são passadas em chocolate granulado. Ah: guaraná! Brigadeiro de aniversário pede guaraná. Aí é Brasil completo.

Mergulhar em Fernando de Noronha

As crianças se maravilham, ao descobrir o caleidoscópio. Para adultos que têm a memória desse momento, a oportunidade de renovar o encantamento é um mergulho nas águas de Fernando de Noronha. Cores e formas variam a todo instante, vidas novas passam diante dos olhos a cada momento. É como estar dentro de um brinquedo, penetrar um mundo criado para deslumbrar e que, apesar de ameaças renitentes, continua preservado.

Fernando de Noronha
Brasília

Ver o sol nascer e se pôr em Brasília

O relevo levemente ondulado de Brasília ajuda o sol a despontar mais cedo e faz com que demore a desaparecer no crepúsculo. Para quem acorda de madrugada ou está voltando para casa nessa hora, a luminosidade da manhã brasiliense inspira, enleva. O melhor é que 12 horas depois o espetáculo se repete no lado oposto do horizonte. Nas duas ocasiões, a paisagem se completa com as águas do lago Paranoá, as linhas harmoniosas da arquitetura e as ondulações do cerrado.

Bater papo na Rua das Flores, em Curitiba

É a Boca Maldita, no dizer dos mais íntimos. Ali se pratica, há várias décadas, o saudável exercício da palavra livre. Nas imediações, confeitarias, bares e cafés garantem suprimentos de alto nível entre uma prosa e outra. Mas o bom mesmo é bater papo. Futebol, mulheres, escândalos locais, nacionais ou internacionais - a pauta abrange todos os temas. Falar mal do governo, então, é uma delícia que sempre se renova. Melhor só mesmo falar de quem ainda agora participava da conversa e teve a infeliz idéia de sair da roda.

Curitiba
Bombom

Comer bombom de cupuaçu

Vêm em embrulhos artesanais, coloridos, recobertos de papel celofane. A consistência lembra a dos melhores chocolates trufados. O gosto é melhor; mistura azedinho com adocicado. Mastigar, saborear, desembrulhar mais um - é a seqüência inevitável, inesquecível. São encontrados em Manaus e Belém, principalmente. As lojas dos aeroportos costumam cobrar um pouco mais caro. Vale o preço, mesmo assim. Bombom de cupuaçu é uma daquelas riquezas amazônicas que os estrangeiros adoram e os brasileiros de outros cantos precisam descobrir.

Ir atrás do trio elétrico

O frevo famoso tem razão: quem está vivo não resiste à tentação de ir atrás quando o trio elétrico avança pelas ruas de Salvador. O ritmo, as pessoas, a música, o entusiasmo, o calor; tudo atrai, puxa, fascina, enfeitiça de tal modo que o corpo mexe, bole, dança, vai junto. Todos cantam, gostosamente submetidos ao comando que vem do alto do caminhão vistoso, estridente, pleno de som. É puro prazer. É prazer puro.

Trio elétrico
Interior

Viajar pelo interior de São Paulo

Faz bem à auto-estima de qualquer brasileiro sair de carro pelas rodovias Anhangüera, Bandeirantes e Castelo Branco. Na medida em que se afasta da capital de São Paulo, o viajante vê um Brasil com infra-estrutura comparável à de países adiantados. Campos cultivados até onde a vista alcança. Máquinas modernas que cortam, semeiam e colhem. Instalações para beneficiar, embalar e distribuir todo tipo de produto. E o mais estimulante é saber que nas últimas décadas esse modelo vem se reproduzindo pelos Estados vizinhos, o que nos dá a convicção de que o Brasil realmente tem jeito, tem futuro.

Beber caipirinha

Os radicais só admitem caipirinha de cachaça com limão- galego, açúcar e gelo quebrado num pilãozinho de madeira. O resultado de fato é extraordinário, insuperável. Já os mais cosmopolitas usam também vodca ou rum, com limão taiti, açúcar ou adoçante artificial e gelo triturado no liquidificador. O resultado também é esplêndido, sucesso garantido entre estrangeiros em geral. Para quem gosta de coquetel, o que temos de melhor é realmente a caipirinha.

Caipirinha
Chimarrão

Tomar chimarrão

Os gaúchos sabem e gostam de ensinar que tomar chimarrão é um ritual. A água é mantida quente, na chaleira junto ao braseiro, sobre o fogo brando da trempe ou na garrafa térmica. O mate de tom verde forte, cheiroso, é ajeitado com esmero na cuia, com ajuda da bomba. É preciso deixar um espaço livre entre a massa de mate e um lado da parede da cuia, para derramar a água quente. Por fim, é sorver quietamente, sozinho ou em boa companhia, e pensar na vida. É bebida de comunhão.

Saborear uma moqueca capixaba

Com todo o respeito que merece a moqueca baiana, rica em azeite-de-dendê e leite de coco, é preciso reconhecer a excelência da moqueca capixaba, que não leva esses ingredientes. Leva outros, a começar pelos peixes de sabor insuperável pescados nas águas capixabas. Os peixes e os frutos do mar, nas mãos de quem cultiva como ninguém a arte de guisá-los, temperá-los, combiná-los com molhos e servi-los em panelas de barro sobre trempes de ferro - só no Espírito Santo.

Moqueca
Cachaça

Degustar a cachaça mineira

Bebe-se cachaça de boa qualidade em praticamente todos os Estados brasileiros. Mas a melhor produção regular, com rótulo, é a de Minas Gerais. As características do solo e do clima - especialmente em Januária, Paracatu e Salinas - propiciaram a tradição de produzir cachaça com arte e capricho em cada etapa. Seja nas cidades, seja na roça, os mineiros souberam criar também as condições ideais para se beber cachaça: prosa recheada de casos, torresmo, tiras de mandioca frita, caldo de feijão em canequinhas, som de viola ao fundo, água fresca para ir hidratando. Dá gosto beber assim.

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