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As
ruas citadas abaixo
fazem parte do livro Porto
Alegre: guia histórico
de Sérgio da Costa
Franco da Editora
da Universidade UFRGS.
Na obra, você vai
encontrar as ruas que
existiam na cidade até
1924, assim como
personalidades,
instituições e serviços
públicos.
Selecionamos algumas
com suas
peculiaridades, nomes
antigos e fatos históricos.
Clique no nome e
confira!
Av.
Assis Brasil ou
Caminho do Passo da
Areia
Gen.
Andrade Neves ou
Rua Nova
Cel.
Fernando Machado ou
Rua do Arvoredo
Rua
Senhor do Passos ou
Beco do Cordoeiro ou
Beco do Couto ou Rua
do Couto
Av.
Praia de Belas ou
Caminho de Belas
Av.
Protásio Alves ou
Estrada da Capela,
Caminho de Viamão ou
Caminho do Meio
Rua
Vinte e Quatro de
Outubro ou Estrada
da Aldeia ou Rua
Moinhos de Vento
Sérgio da Costa
Franco é natural
de Jaquarão, RS.
Bacharelado em
História e Geografia
pela Faculdade de
Filosofia da UFRGS.
Bacharelado em Direito
pela Faculdade de
Direito da UFRGS.
Promotor de Justiça e
Procurador.
Pesquisador histórico
e membro do Instituto
Histórico e
Geográfico do Rio
Grande do Sul.
Jornalista
provisionado.
Colunista do Correio
do Povo de 1969 a
1983. Colunista de
Zero Hora desde 1984.
Ensaios históricos
publicados: Júlio de
Castilhos e sua época
(1967); Origens de
Jaguarão (1980);
Porto Alegre e seu
comércio (1983);
Soledade na história
(1975). Coletânea de
crônicas: Achados e
perdidos (1981); Ruas
mortas (1977); Quarta
página (1975).
Av. Assis Brasil ou
Caminho do Passo da
Areia
Grande
avenida dos
subúrbios, começando
no Bairro São João,
onde acaba a Avenida
Benjamin Constant, e
terminando junto à
ponte do rio
Gravataí, nos limites
do município. Foi
conhecida inicialmente
como Caminho da Areia,
um dos segmentos da
velha Estrada da
Aldeia dos Anjos, que
desde o século XVIII
ligou a vila de Porto
Alegre à freguesia de
Aldeia dos Anjos de
Gravataí. Como Passo
da Areia era
denominado o vau do
arroio da Areia,
pequeno curso de
água, hoje
canalizado, que passa
à margem do Esporte
Clube São José. Toda
região que lhe
adjacente ficou
conhecida como
arrabalde do Passo da
Areia, pelo menos até
o obstáculo fluvial
mais próximo, constituído
pelo Passo da
Mangueira.
Desde
1855 (out./25), a
Câmara Municipal
revelou preocupação
com a melhoria dessa
estrada, mandando nela
efetuar concertos. Em
1862 (out./27), os
vereadores fizeram
intimar Francisco
Ferreira Jardim a
arrasar os valos que
abrira na frente da
chácara no Passo da
Areia, porque os
mesmos estreitavam a
estrada. Em 1882
(out./29), de novos
consertos cogitou a
Câmara, encarregando
Serafim Luiz Viegas a
compor a Estrada do
Passo da Areia, desde
o passo desse nome
até o Passo das
Pedras.
A
expansão e o
crescimento econômico
da cidade, neste
século, incorporaram
o antigo caminho à
malha urbana, o que
já se refletiu no
plano de
pavimentação
executado pelo
Presidente Alberto
Bins, em 1929:
implantou-se, então,
na Estrada do Passo da
Areia uma faixa de
concreto com 4.242m²
de superfície.
Decreto municipal de
4/2/1944 determinou o
alargamento
progressivo da
artéria, mediante
recuo das construções,
desde a Rua Horícola
até a ligação com o
Passo da Mangueira. E,
como remate desse
processo de
urbanização, a via
deixou de ser estrada
para denominar-se
Avenida Assis Brasil,
por uma lei de
4/8/1948. Tornou-se
esta uma
importantíssima
artéria, dotada de
expressivo comércio e
intenso tráfego,
somando em sua
trajetória as antigas
estradas do Passo da
Areia, do Passo da
Mangueira e do Passo
do Sarandi, até o rio
Gravataí (lei de
5/5/1949).
Conforme
esta última lei,
passou a ter início
na Igreja de São João.
Gen. Andrade Neves ou
Rua Nova
É
uma das ruas mais
antigas da cidade,
embora conhecida até
bem pouco tempo pelo
seu nome original de
Rua Nova. Coruja*, o
cronista das
Antigualhas, a seu
respeito o seguinte:
“Bem nova era ela
quando a conheci;
parece ter sido aberta
para uma convenção
entre os moradores das
ruas da Praia e da
Ponte, pois as casas
tanto de uma quando em
grande parte tinham
portão de saída para
ela”.
O
cronista era nascido
em 1806 e suas
primeiras recordações
datam de 1811/12. Mas,
no caso da Rua Nova,
sua impressão de que
ela fosse de abertura
recente talvez
decorresse de
equivoco. Já se fala
em Rua Nova em reunião
de 7/1/1777 do Senado
da Câmara da Capital,
quando a corporação
municipal decidiu
alugar ali, para as
suas sessões, uma
casa de José
Bernardes de Castro.
Durante
muito tempo, até a
abertura da Avenida
Senador Salgado Filho
no princípio da
década de quarenta,
ela se desenvolvia
desde a Rua General
Câmara até a
Marechal Floriano. No
início do século XIX
houve a intenção de
prolongá-la para o
leste, até a Santa
Casa, mas a anarquia
imperante nas
concessões de
terrenos urbanos por
parte dos governantes
da Capitania terminou
por determinar sua
interrupção na
antiga Rua de
Bragança. Uma
questão judicial que
se arrastou por mais
de vinte anos, entre a
Câmara Municipal e
Francisco Pinto de
Souza, e por este
vencida em 1846,
obstaculizou
definitivamente o
processo da Rua Nova.
Seu
primeiro calçamento
foi determinado pela
Câmara em 1843
(out./23). Mas em
1868, seus moradores
já se cotizavam,
oferecendo ao
município a quantia
em dinheiro para a
reforme do
calçamento.
Tendo falecido em
campanha, no Paraguai,
o General José
Joaquim de Andrade
Neves, Barão do
Triunfo, a Câmara
Municipal, através de
resolução de
18/9/1869, deu à Rua
Nova o nome de Rua do
Barão do Triunfo.
Entrementes, já
surgira no Bairro
Menino Deus,
oficiosamente, a rua
desse nome. O que
levou a Câmara, em
26/10 do mesmo ano, a
mudar a designação
para Rua do General
Andrade Neves, que
até hoje prevalece. O
bravo general gozaria
de homenagem dupla.
Antes de se
transformar em rua
comercial, com
edifícios de
escritórios e vários
hotéis, a Andrade
Neves, no princípio
do século XX, foi
centro de boêmia, de
pensões alegres e
cabarés, entre os
quais o famoso Clube
do Caçadores, casa de
jogo e music hall que
por vinte anos deu o
tom à vida noturna de
Porto Alegre.
Cel. Fernando
Machado ou Rua do
Arvoredo
Rua
do Centro, começado
na Rua Gen. Vasco
Alves e terminando na
Rua Cel. Genuíno. Com
a designação de Rua
do Arvoredo, existiu
desde os primeiro
tempos da vila de
Porto Alegre, havendo
uma escritura pública
de compra e venda
datada de 9/5/1788
(livro n°11,1°
Tabelionato, no
Arquivo Público do
Estado), relativa a
uma “casa e cozinha
de palha” fazendo
frente “para a rua
direta que sai da
Matriz” e “fundos
para a rua do Arvoredo”.
Outrossim, em
11/12/1793, Félix
Gomes Tourinho e sua
mulher venderam a
Henrique Xavier um
terreno com 66 palmos
de frente à Rua do
Alvoredo e fundos no
Riacho (livro n° 13,
1º Tabelionato, no
Arquivo Público do
Estado). E provável,
pois, que a rua já
tenha tido moradores
no século XVIII. E é
certo que os teve nos
primeiros anos do
século XIX, conforme
várias referências
em documentos da
Câmara. Tratava-se
sempre de pessoas de
condição modesta.
Entretanto, em
1843/fev./1°,os
vereadores já
estipulavam o prazo de
quatro meses, para que
os proprietários da
Rua do Arvoredo
construíssem as
calçadas à frente
das respectivas casas:
era o primeiro sintoma
de urbanização. Em
1851 (jan./10), a
Câmara autorizou seu
procurador a fazer um
cano de tábuas nos
fundos do quintal do Palácio,
ali colocando de 20 a
40 carroçadas de
aterro, “a fim de
dar trânsito aquele
lugar”; certamente,
as águas que desciam
do morro, inexistindo
qualquer sistema de
esgoto pluvial,
tornariam intransitável
aquele trecho. Dois
anos depois
(10/1/1853),
cuidava-se de
consertos na rua do
Arvoredo, desde a Rua
de Belas (atual
General Auto), até o
Alto da Bronze, “onde
proximadamente se acabou de
abrir a dita rua”. A
última referência demonstra
que, embora constando
aberta até a Gen.
Vasco Alves na planta
oficial de 1839, o
trecho imediato ao
Alto da Bronze talvez
se conservasse ainda
irregular e
intransitável.
A inauguração da
Fonte dos Pobres, em
1857, atrás do
Palácio do Governo,
determinaria a
realização de
algumas obras
complementares. À
visita de uma ordem da
presidência da
Província, a Câmara
ordenou que fossem
intimados os
proprietários dos
terrenos fronteiros aquele
chafariz, para ali
construírem uma
paredão, com vistas
ao nivelamento e
aterro daquele trecho
da rua.
Em
1865, quando se deu
início, na esquina da
Rua Espírito Santo,
à construção do
alteroso Seminário
Diocesano (hoje Cúria
Metropolitana), ainda
a Câmara concedia
licença a um
tambeiro, Propício de
Abreu, para manter
vacas de leite em seu
curral à Rua do
Arvoredo.
Resolução
de 6/6/1870, da
Câmara Municipal,
mudou o nome de Rua do
Arvoredo para Cel.
Fernando Machado. Em
verdade, a ata
registra, por engano
“General Fernando
Machado”, o que já
aparece corrigido na
reunião reunião de
28/7/1870. O
homenageado, Fernando
Machado de Souza,
natural de
Florianópolis,
faleceu no posto em
combate de Itororó, a
6/12/1868, na Guerra
do Paraguai.
Entrementes,
a rua continuava
socialmente modesta.
Em 1869, segundo o
relatório da Cia.
Hidráulica
Porto-Alegrense, tinha
apenas oito economias
ligadas à rede
distribuidora de
água; em 1874, as
ligações alcançavam
28, porém oito se
encontravam fechadas.
Em 1883, a mesma
Companhia prolongou o
encanamento desde o
chafariz até a Rua
Cel. Genuíno, mas só
obteve com isso oito
novas penas
domiciliares
instaladas. No
entanto, a
Estatística Predial
de 1892 ali registrava
234 prédios. No fim
do século, havia
trecho da rua maculado
pela prostituição: o
famigerado Beco do
Céu movimentava os
plantões... Em
relatório do
Intendente Alfredo
Azevedo, em 1894,
vê-se que a
Intendência gastara
com a compra de um
terreno para “desobstrução
da Rua Cel. Fernando
Machado, entre Gal.
Paranhos e Mal.
Floriano”, sinal de
que nem todo o seu
alinhamento se
regularizara, e que
ocorriam
estreitamentos no seu
curso.
Segundo
o relatório do
Intendente José
Montaury em 1906, foi
neste ano que se
procedeu ao
calçamento da rua. A
urbanização da
Praça General Osório
(Alto da Bronze), a
construção da
escadaria de acesso à
Rua Gen. João Manoel
em 1929, a abertura da
Av. Borges de Medeiros
e o ajardinamento dos
fundos do Palácio do
Governo foram fatores
relevantes de melhoria
para a Rua Cel.
Fernando Machado, que
hoje apresenta muitos
bons edifícios
residenciais, embora
releve, em algumas
construções mais
antigas, a sua modesta
origem.
Rua Senhor do
Passos ou Beco do
Cordoeiro ou Beco do
Couto ou Rua do Couto
Da
zona central. Começa
na Voluntários da
Pátria e termina na
confluência da Rua
dos Andradas com a
Praça Dom Feliciano.
Era, ao tempo do
cronista Coruja, o
Beco do Cordeiro: “Em
terrenos contíguos da
chácara da Brigadeira
e de Ântonio Pereira
do Couto havia
estrada, viela ou
atalho, que dava caminho da
Caridade para a praia,
e que não tinha nome
de rua por não ter
casas laterais.
Edificadas algumas
casinhas, foi para
umas delas morar um
cordoeiro chamado
João, conhecido por
João Cordoeiro, que
deu à rua o nome de
Beco do Cordoeiro, que
mais tarde se veio a
chamar Rua do Senhor
dos Passos”.
Antes de se chamar
Beco do Cordoeiro, a
viela também foi
conhecida como Beco do
Couto ou Rua do Couto,
assim figurando nas
posturas municipais de
1831 e na planta da
cidade em 1839. Mas um
anúncio do jornal O
Mensageiro, de
8/1/1836, já alude a
Beco do Cordoeiro,
assim como um
expediente da Câmara
Municipal ao
presidente da
Província, em
9/3/1838, solicitando a
colocação de um
lampião para iluminação
pública, no Caminho
Novo, “no canto do
Beco do Cordeiro”.
Em 1841 (jan./13), o
Juiz Municipal
reclamou dos
vereadores pelo estado
intransitável das
ruas do Rosário e do
Cordoeiro. E a 3 de
julho de mesmo ano,
deliberando sobre ruas
que demandavam
melhoramento urgente,
a Câmara mandou pedir
ao presidente da
Província todos os
galés existentes nas
prisões, para os
serviços de aterro e
desmonte nas ruas de
Santa Catarina, da
Misericórdia e do
Cordoeiro. Mas quando
se puseram placas às
ruas, em 1843, o beco
recebeu
definitivamente as
honras de Rua Senhor
dos Passos, que nunca
mais perdeu.
Em
1847, o presidente da
Província, Manoel
Antônio Galvão,
dirigiu à Câmara
Municipal vários
quesitos, a fim de
deliberar sobre a
pretensão dos
vereadores, de
aumentarem a largura
da Rua Senhor dos
Passos, de 48 palmos
para 80 palmos.
Perguntava o
presidente qual das
três rua – a da
Conceição (então
Rua da Brigadeira), a
própria Senhor dos
Passos ou a Dr. Flores
(então rua Santa
Catarina) seria a mais
adequada para o
tráfego das carretas
que baixavam para o
Mercado. Responderam
os vereadores que as
ruas paralelas eram
mais apropriadas para
aquele trânsito, mas
que o alargamento se
fazia conveniente para
favorecer “o
aformoseamento do
edifício da Santa
Casa”, que naquela
época estava sendo
ampliado. Certamente,
as razões não
convenceram, pois não
houve autorização
para o alargamento.
Pesava, no caso, a
influência de dona
Rafaela Pinto Bandeira
e de toda a face leste
da rua.
Em
1869, depois de
instalados os
serviços de
distribuição de água
da Cia. Hidráulica
Porto-Alegrense, havia
na Rua Senhor dos
Passos 28 ligações
domiciliares.
A
Estatística Predial
de 1892 encontrou 75
prédios construídos
na rua, sendo 50
térreos, 14 sobrados
e 11 assombrados.
O alargamento só veio
a ser determinado pelo
decreto de 4/2/1944,
do Prefeito Antônio
Brochado da Rocha: de
8,10m para 14,00m,
mediante recuo
progressivo das construções.
Av. Praia de Belas ou
Caminho de Belas
Começa
na Av. Borges de
Medeiros, frente ao
Orfanato do Pão dos
Pobres, e termina na
Rua José de Alencar.
Por Praia de Belas ou
Caminho de Belas foi
chamado, desde o
princípio do século
XIX, o segmento de
litoral do Guaíba, a
partir da embocadura
do Riacho no rumo do
sul. É um do
topônimos
tradicionais com
origem controvertida.
Segundo Coruja, o
caminho teria sido
aberto pelo Conde da
Figueira, governador
da Capitania entre
1818 e 1820; e como
ele fosse filho de um
titular da nobreza
lusitana, Condessa ou
Marquesa de Belas, “assim
se pôs à rua ou
praia esse nome”.
Embora Coruja fosse
contemporâneo da
própria abertura do
caminho, sua
explicação não
pareceu muito
convincente ao
historiador Walter Spalding,
como a nós também
não parece. Se todos
os topônimos da
primitiva Vila e mesmo
da cidade de Porto
Alegre, até 1843,
foram espontâneos,
nascidos da
inspiração popular,
nenhum deles
denominando
autoridades, mas sim
referindo moradores da
área, é muito
estranho que o título
nobiliárquico da
distante genitora do
governador da
Capitania fosse dotado
para denominar modesto
caminho de beira-rio.
Sobretudo porque, no
mesmíssimo caminho,
havia a coincidência
de morar pessoa
conhecida e de
expressão na
comunidade local, que
era Antônio Rodrigues
Belas. Numa
convocação à “Nobreza
do Povo”, feita em
15/3/1817, pelo Senado
da Câmara, para
decidir sobre o
problema da
arrematação dos
açougues da vila,
Belas aparece entre os
votantes; em
16/12/1818, surge como
arrematante do
contrato de aferição
de pesos e medidas. Em
sucessivas
licitações, em
1819,1824 e 1829,
habilita-se à
função de aferidor,
o que naturalmente o
tornaria muito
conhecido de todos
quantos operassem no
comércio, obrigados
à aferição regular
de suas quartas,
côvados, varas e
canadas. Foi ainda,
mais tarde, procurador
da Santa Casa e
administrador da
construção da doca
do Mercado.
Por
isto e por aquilo, o
certo é que em
sessão da Câmara
Municipal, a
28/8/1824, “se
mandou passar edital,
pelo qual se faça
público que ninguém
possa extrair areia no
Caminho novo de Belas”.
Foi a primeira
referência oficial
que lhe achamos. Mas,
daí em diante, elas
se tornam muito
freqüentes.
Em
meados do século XIX,
embora continuassem
como lugar de
chácaras e sítios, a
Praia de Belas
começava a povoar-se
de moradores, dando
margem a
preocupações com o
alinhamento, senão
das casas, pelo menos
das respectivas
cercas. Em 1845
(abr./21), João
Batista da Silva
Pereira, futuro Barão
do Gravataí, requereu
marcação do
alinhamento “onde
deve mandar fazer a
cerca em uma sua
chácara que possui no
Caminho de Belas”.
Em 1857 (jul./20), os
vereadores ordenam o
orçamento da despesa
a ser feita com o
aterro “no caminho
chamado Praia de
Belas, desde a ponte
de pedra até a frente
da chácara de D.
Feliciana Prima de
Castro”,
regulando-se a largura
pela que há em frente
à casa da Baronesa do
Gravataí. Em 1861
(nov./16), a Câmara
mandou fazer os
consertos de que
carecia a “rua de
Belas em frente à
chácara da Exma.
Baronesa do Gravataí,
aceitando para isso um
donativo oferecido “por
moradores ou pessoas
que ali possuem
chácaras”:
Frederico Bier,
Baronesa do Gravataí,
Francisco Batista da
Silva Pereira, Isidoro
Pereira de Barbedo,
João de Castro Canto
e Melo, José Cândido
Rodrigues Peres, Luiz
Antônio de Medeiros,
Manoel Nunes do
Nascimento e José
Antônio da Silva
Veiga.
O caminho era sedutor.
Não lhe faltavam
projetos e tentativas
de aperfeiçoamento.
Em 1869, o presidente
da Província
comunicava ao
município ter nomeado
uma comissão para
dirigir a construção
de um cais de pedra na
Praia de Belas, a
partir da ponte do
Riacho. Esse cais,
iniciado em 1870, foi
prolongado mais tarde
até as imediações
da antiga cadeia. Deu
margem a uma crônica
de Aquiles Porto
Alegre (“O Cais da
Cidade Baixa”): “Existe
há muitos anos um
longo trecho de cais,
que partindo das
imediações da
cadeia, vai por aí
fora a Ponte de Pedra
sobre o Riachinho, e
continua depois
abeirando dos
quartéis da Brigada
Militar. O cais foi
bem construído e
atesta o zelo e a
competência do
engenheiro incumbido
dessa construção.
Nesse trabalho foi
consumida não pequena
soma, e pena é que
aquele serviço não
esteja ainda completo
pela falta de
arborização, que
devia acompanhar as
obras de alvenaria”.
Talvez
em função da
crônica de Aquiles,
foram plantados
salsos-chorões, desde
a Ponte de Pedra até
o quartel da
Infantaria da Brigada
Militar. Eram um belo
elemento decorativo,
que Theodomiro Tostes
evocou em sua “Cantilena
Provinciana”: “Chorões
da Praia de Belas/
chorando seu choro
verde”.
Como
em toda a enseada da
Praia de Belas, o
Guaíba apresentasse
pequena profundidade e
tendesse, cada vez
mais, a aumentar seu assoreamento,
o município projetou
ali um grande aterro,
que conquistaria uma
larga faixa ao
rio-lago e seria
rematada pela construção
de uma Avenida
Beira-Rio. O
respectivo projeto foi
aprovado por lei de
10/11/1955. De sua
execução, consumada
nos anos
subseqüentes,
resultou ficar a Praia
de Belas afastada do
rio, perdendo
inteiramente suas características
originais. Lei
municipal de 7/11/1961
oficializou o nome de
Av. Praia de Belas,
desde a Av. Borges de
Medeiros até a Rua
José de Alencar. Daí
em diante, já se
achava oficializado o
nome de Av. Padre
Cacique, originalmente
também um segmento da
Praia de Belas.
Av. Protásio Alves
ou Estrada da
Capela, Caminho de
Viamão ou Caminho do
Meio
A
mais extensa radial da
cidade, começando no
fim da Av. Osvaldo
Aranha, de que é
continuação, e
terminando na divisa
do município de
Viamão. Foi conhecida
no passado como
Estrada da Capela,
Caminho de Viamão e
Caminho do Meio.
Destes topônimos, o
último prevaleceu por
muito tempo, talvez
por expressar uma
realidade geográfica
muito palpável: das
três estradas rurais
que saíam de Porto
Alegre – a de Mato
Grosso, que demanda
Viamão pela Azenha, a
de Gravataí, e o
próprio Caminho de
Viamão, assim
mencionado por ser o
mais antigo, este era
o do meio.
Depois
de pacificada a
Província em 1845,
começaram as
providências para
melhorar os caminhos
de ligação entre a
capital e as
freguesias de sua circunscrição.
Assim, naquele ano, em
16/setembro, a Câmara
Municipal aprovou que
o fiscal fosse
autorizado a convidar
os moradores que
transitavam pela
Estrada do Meio, a se
reunirem e concorrerem
com o necessário “para
o conserto da referida
estrada, no lugar em
que a mesma se acha intransitável,
próximo à chácara
do Teles”.
Em
1852 (jul./28), é uma
autorização dos
vereadores para ser
orçada a despesa com
aterro e consertos na
Estrada do Meio, desde
a chácara do Dr.
Capistrano (João
Capistrano de Miranda
e Castro) até a da
Viscondessa de São
Leopoldo. Em 1856
(ago./20) eram postos
em praças de
arrematação “os
consertos da Estrada
do Meio, na descida do
Forte”.
Depois de autorizados
novos consertos,
vê-se, pela ata de
11/7/1882, da Câmara
Municipal, que o
presidente da
corporação fora, com
o Vereador Leopoldo
Masson, examinar o
serviço e achara
regular, “e que a
fim de que não se
arruinasse aquela
estrada, contratou
Eufrázio José dos
Santos, pela quantia
de 200$000 anuais,a
conservação da
mesma, desde a
desembocadura no Campo
do Bom Fim”.
Após
a República, e por
influência de Felicíssimo
de Azevedo, o Caminho
do Meio foi
oficialmente
denominado Estrada do
Capitão Montanha, em
homenagem ao Capitão
Alexandre José
Montanha, do Exército
Português, que foi o
primeiro urbanista,
engenheiro, topógrafo
e agrimensor da Vila
de Porto Alegre. Na
Estatística Predial
de 1892, essa via pública
aparece apenas com dez
prédios térreos
registrados, indício
certo de que
continuava sendo um
caminho rural.
Só
a planta de 1916 acusa
algum desenvolvimento
urbano no início do
Caminho do Meio,onde
já se podem ver,
além das ruas
Esperança e Mariante,
que são transversais
antigas, as ruas
Francisco Ferrer,
Giordano Bruno, São
Manoel, Travessa
Caminho do Meio (atual
Rua Cel. Paulino
Teixeira), Rua Dona
Leonor, Rua Treze
(hoje Dr. Alcidez
Cruz), João
Guimarães, São
Vicente, Larga (hoje
Santa Cecília) e Boa
Vista (atual Vicente
da Fontoura), que
seria o ponto extremo.
Mas um efetivo
desenvolvimento só
aconteceu na década
de trinta, como
resultado da expansão
dos numerosos
loteamentos
implantados além das
ruas citadas.
Um
mapa municipal de 1928
já mostra, traçadas
e denominadas, quase
todas as atuais ruas
do Bairro Petrópolis,
embora se saiba que
permanecesse
fracamente ocupadas. O
cronista Ary Veiga
Sanhudo relatou em uma
de suas crônicas (“Petrópolis”,
em Crônicas de minha
cidade, Ed. Movimento,
1975, p.138): “Recordo
apenas que em 1933,
quando tive que
prestar o serviço
militar, ainda aluno
dum Tiro de Guerra,
todas as manobras de
campanha da nossa
turma foram executadas
na colina de
Petrópolis, mais ou
menos aí pelo local
onde hoje se encontra
a moderna Caixa
D'Água, precisamente
ao lado da pequena e
interessante praça
Buri”.
A
lei de 6/7/1936 mudou
a denominação de
Caminho do Meio para
Av. Protásio Alves,
começando então a
seqüência de
transformações
urbanísticas da
área. O Decreto
Municipal nº. 84, de
11/10/1939, regulando
a cobrança, em
prestações, do
calçamento, cordões
e demais obras
realizadas à Av.
Protásio Alves,foi a culminação de
uma série de obras de
calçamento, desmonte,
aterros, construção
de muros de arrimo e
implantação de meios
fios, realizados pela
prefeitura na
administração do
Prefeito José
Loureiro da Silva.
A
linha de bondes da
Carris, que antes não
ultrapassava a Rua
Vicente da Fontoura,
foi estendida até a
esquina da Rua
Carazinho. E, numa
demonstração de que
a avenida assumia
crescente importância
e recebia um
progressivo tráfego,
o decreto de 4/2/1944,
do Prefeito Antônio
Brochado da Rocha,
determinou seu
alargamento, de 22
para 30 metros,
mediante recuo
progressivo das
construções.
A
denominação homenageia
o Dr. Protásio Alves,
nascido em Rio Pardo
em 1958 e falecido em
Porto Alegre em
5/6/1933, que foi
vice-presidente do
Estado por duas vezes,
fundador e primeiro
diretor da Faculdade
de Medicina.
Rua Vinte e Quatro
de Outubro ou
Estrada da Aldeia ou
Rua Moinhos de Vento
Importante
artéria dos bairros
Independência,
Moinhos de Vento e
Auxiliadora. Começa
na Praça Júlio de
Castilhos e termina na
confluência da Av.
Plínio Brasil Milano
com a Rua Auxiliadora.
Corresponde
basicamente ao
traçado da estrada
que se dirigia à
Freguesia da Aldeira
dos Anjos (Gravataí),
e que era por isso
conhecida como Estrada
da Aldeia. Depois que
Antônio Martins
Barbosa, conhecido
como Barbosa Mineiro,
instalou moinhos de
vento em sua
propriedade nos
arredores da cidade,
próximo à atual Rua
Barros Cassal, a
saída para a Estrada
da Aldeia começou a
ser chamada de Estrada
dos Moinhos de Ventos
– uma denominação
que a princípio pertenceu
à atual Av.
Independência, e que
depois se comunicou ao
seu prolongamento
natural que é
hodierna Rua 24 de
Outubro. A planta de
Porto Alegre em 1888
mostra a Estrada dos
Moinhos de Vento com
grande extensão, inflectido
para a zona rural. Já
se alude, todavia, à
Rua Moinhos de Vento
em anúncios de 1878.
Mas
o processo de organização
dessa radial foi
relativamente lento. A
Estatística Predial
de 1892 apenas
registrou um total de
11 prédios
cadastrados na Rua
Moinhos de Vento: nove
casas térreas e dois
sobrados. A
implantação da
primeira linha de
bondes, da Cia. Carris
Urbanos, em 1893, e a
imediata inauguração
do Prado
Independência em
1894, foram os
elementos
estimuladores do
desenvolvimento da
rua. A subseqüente
construção da Hidráulica
dos Moinhos de Vento,
em 1904, terá sido
outro fator da
introdução de
melhoramentos urbanos
da área.
O
assentamento dos
cordões de calçada
foi iniciativa da
Intendência no
exercício
administrativo de
1907/1908, quando
também começaram a
circular os bondes
elétricos até a
esquina da Rua Cel.
Bordini. As
tubulações para a
iluminação pública,
numa extensão de
1.510 metros pertenceram
ao exército de
1912/1913, conforme o
respectivo relatório
do Intendente
Montaury. È por essa
época que começaram
implantar-se vários
loteamentos adjacentes
à Rua Moinhos de
Vento, valorizando-a
definitivamente.
O
decreto municipal de
24/10/1933 mudou a
denominação de Rua
Moinhos de Vento para
a atual, em homenagem
à data do golpe
militar que depôs o
Presidente Washington
Luís Pereira de
Souza, em 1930, quando
já deflagrada a
revolução da Aliança
Liberal.
Em
4/2/1944, o Prefeito
Antônio Brochado da
Rocha decretou seu
alargamento
progressivo mediante
recuo das construções,
de 18 para 25 metros,
desde a Rua Ramiro
Barcelos até a Av.
New York, e para 21
metros, desde a Av.
New York até a Rua
Auxiliadora.
*
O cronista Coruja que
o autor cita nos
textos é Antônio
Álvares Pereira da
Coruja
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