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PORTO ALEGRE RS

 

Você sabia?

CURIOSIDADES 

visitante!

 

PORTO ALEGRE, 234 ANOS!!

Seguindo o modelo de sites do tipo você sabia? O Pampas Informativo traz Curiosidades, aqui tu poderás conhecer um pouco sobre a história da cidade de Porto Alegre, além de tomar conhecimento sobre fatos que marcaram a vida dos gaúchos e poucos conhecem. 

DICAS DE IMPRESSÃO

O nascimento de uma bela capital. 

Primeiro parque – Farroupilha, o mais antigo. Localizado no Campo do Bom Fim, que passou a se chamar Campo da Redenção (como o parque é chamado até hoje), em homenagem ao movimento popular de libertação dos escravos em Porto Alegre. Em 1935, passou-se a chamar Parque Farroupilha, depois de feito o ajardinamento e drenagem do local, dividida em praças. 

Água – Em 1861 foi fundada a Companhia Hidráulica Porto-alegrense, que começou a abastecer a cidade com água potável alguns anos depois, com a complantação do sistema que levava água em encanamentos de ferro desde o Arroio Dilúvio até o reservatório construído na Praça da Matriz.

O mais antigo prédio residencial – O Solar dos Câmara na Rua Duque de Caxias foi construído em 1818. Com 1.290 metros quarados, o Solar de estilo colonial português foi tombado em 1963. Atualmente pertence à Assembléia Legislativa e abriga o serviço de documentação, sendo usado também para recitais e exposição de artes.

Primeira igreja – A Catedral Metropolitana foi construída em 1794, mas o prédio antigo foi derrubado durante a década de 20. Já a construção da Igreja das Dores iniciou em 1807, e só foi concluída em 1904.

Primeira igreja - Porto Alegre - RS

Primeiro hospital – Começou a construção das enfermarias da Santa Casa de Misericórdia, antes chamada de Hospital de Caridade, em 1803. Em 1826 recebia seus primeiros enfermos.

O prédio mais antigo - Porto Alegre - RS

O prédio mais antigo – Construído na época da fundação de Porto Alegre o prédio em estilo colonial situado ao lado do Palácio Piratini, foi concluído em 1790. Em 1860 foi reformado para a construção do segundo piso. De 1835 a 1967 foi sede da Assembléia Legislativa. Em 1981 foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Rio Grande do Sul.

Primeira linha de trem – Em 14 de abril de 1874 foi inaugurado os primeiros 33,7 quilômetros de estrada férrea ligando Porto Alegre a São Leopoldo. A estação na capital ficava na hoje Voluntários da Pátria esquina com Conceição.

Primeiro Gre-nal – Aconteceu no dia 18 de julho de 1909 no campo do Grêmio. O juiz da partida foi Waldemar Bronberg, e o placar foi de 10x0 para o Grêmio.

Primeiro teatro – O Theatro São Pedro foi inaugurado em 1858. Deteriorado na década de 70, passou por um longo período de reforma, reabrindo somente em 1984, sob administração da fundação do Theatro São Pedro.

Orquestra Theatro São Pedro - Porto Alegre - RS

Primeiro banco – Banco da Província do Rio Grande do Sul, que começou a funcionar em 1858, com dinheiro local.

Primeiro jornal – Diário de Porto Alegre, em 1827.

Escravos - Porto Alegre - RS

Primeira cidade brasileira a abolir a escravatura – Foi na manhã de 12 de agosto de 1884, um grupo de pessoas caminhou pela Rua da Praia, batendo de casa em casa e pedindo aos donos que libertassem seus escravos. Em 1887, às vésperas da Lei Áurea Porto Alegre tinha apenas 58 escravos.

Primeiro estádio de futebol – O Grêmio foi fundado em 1903 e teve sua quadra de esportes na baixada da Rua Mostardeiros, até construir o Estádio Olímpico, em 1954. Era, na época, o maior estádio construído no Brasil.

Primeiro mercado – Mercado Público Central inaugurado em 1869. Apresenta a mesma aparência externa de hoje desde 1913, após um incêndio que atrapalhou as obras do segundo piso.

Telefone – Em 1886 começaram a instalação dos serviços telefônicos com 72 assinantes.

Primeiros bondes – Em 1873, a Companhia Carris de Ferro Porto-alegrense implantou linhas de bondes puxados a burro. O primeiro bonde partia da Av. João Pessoa em direção ao Bairro Menino Deus. O ciclo de bondes de tração animal durou cerca de 30 anos. As primeiras linhas de bonde elétrico começaram a funcionar em 1908, através da Companhia Força e Luz. Eram 35 carros com 32 lugares e dois carros de dois andares para 64 passageiros. Em 1926, apareceram os primeiros ônibus, operando em quase todos os bairros e fazendo concorrência aos bondes, que foram tirados de circulação em 1970.

Primeiros bondes - Porto Alegre - RS
Primeira praça - Porto Alegre - RS

Primeira praça – Praça da Alfândega, antes Praça da Quitanda, 1783. Na praça foi construído, e depois destruído, o velho prédio da Alfândega. No local, os “quitandeiros” vendiam suas mercadorias, próximo ao cais.

Iluminação pública – Em 1834 foram instalados os primeiros lampiões nas ruas da cidade. Eram inicialmente 200 lampiões, presos por ferragens a fachadas das casas, utilizando azeite de baleia como combustível. Mais tarde foram utilizados os lampiões a querosene e depois, os combustores de gás. As lâmpadas elétricas começaram a surgir a partir de 1917, por meio das três usinas da cidade: Municipal, Força e Luz e Fiat Lux.

Primeiro automóvel – Os irmãos Grecco donos do cinema Apolo foram os primeiros a adquirirem carro na capital gaúcha. Importado da França, o De Dion Bouton foi o primeiro automóvel a circular pelas ruas de Porto Alegre.

Primeira rua – A Rua da Praia é a mais antiga de Porto Alegre. Pode-se dizer que foi o berço da cidade. Os açorianos que chegaram na região, em 1752, desembarcaram no ancoradouro da sesmaria de Jerônimo de Ornellas. O compositor Alberto do Canto assim descreveu: “A Rua da Praia que não tem praia, que não tem rio, onde as sereias andam de saias e não de maiô. A Rua da Praia do jornaleiro e do camelô...”.

Primeira rua - Porto Alegre - RS

Primeiro colégio – Americano. Tem sua origem na modesta escola chamada Colégio Evangélico Misto, em 1885.

Primeiro cinema – O primeiro cinema que ainda existe no mesmo local (Rua dos Andradas, “Rua da Praia”, em frente a Praça da Alfândega) foi o Guarani, em 1913. Mas em 1909 já existiam três cinemas: o Variedades, o Smart Salão e o Recreio Ideal.

A História de Porto Alegre

Porto Alegre nasceu de uma pequena colônia de imigrantes açorianos, que se estabeleceram na Ponta de Pedra em 1752, dentro da Sesmaria de Santana, capitaneada por Jerônimo de Ornellas e Vasconcellos. A partir daí, a localidade começou a ser chamada de Porto dos Casais.

Em 1763 os castelhanos, comandados por Don Pedro Cevallos, governador de Buenos Aires, invadem o Rio Grande do Sul e tomam a cidade de Rio grande. Neste ano, as populações portuguesas do norte do estado migram para a região de Viamão e Porto dos Casais.

Em 26 de março de 1772, um edital eclesiástico divide a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Viamão em duas. O antigo Porto dos Casais se transforma na Freguesia de São Francisco. Quase um ano depois, em 18 de janeiro de 1773, um novo edital rebatiza a pequena povoação, que passa a se chamar de Madre de Deus de Porto Alegre. O então o governador da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, José Marcelino de Figueiredo, ordena a transferência da Câmara Municipal de Viamão para Porto Alegre. A antiga colônia açoriana se transformava na capital da província. Além de centro administrativo, a cidade se transforma em área militar. Paliçadas de madeira são construídas em torno da cidade. As estreitas ruas da Porto Alegre colonial são projetadas como um labirinto, possuindo nítido caráter defensivo. A modesta capital prospera e, em 1804, a Coroa Portuguesa instala a primeira alfândega do rio grande do Sul.

Contudo, se passaria algum tempo, até que o modesto núcleo urbano se transforma-se em vila, em 1809, e depois cidade, em 1822.

Porto Alegre nos primeiros anos do século XIX, foi um dos primeiros núcleos urbanos de apoio as forças portuguesas, instaladas no Delta do Jacuí, que desbravaram o interior do Rio Grande do Sul. Além de centro comercial, administrativo e militar, a cidade também oferecia serviços de estaleiros. As embarcações portuguesas, alem de se abastecerem com víveres, também podiam fazer pequenos reparos no casco e no velame.

Entre 1822 e 1835, cidade se desenvolve. A conquista das áreas meridionais do Brasil e as campanhas portuguesas trazem a Porto Alegre novos contingentes militares. É a época da construção dos grandes casarões coloniais portugueses na cidade, como por exemplo, o Solar dos Câmara e outros prédios administrativos no mesmo estilo.

Em 1835, o Rio Grande do Sul mergulha em uma guerra de caráter libertário. Veteranos das campanhas das Guerras do Prata, aliados a Guarda Nacional e outros descontentes se organizam em uma milícia, que foi chamado posteriormente, Farroupilha. Porto Alegre se encontrava fortificada, mas isso não impediu que em 20 de setembro de 1835, esta fosse invadida pelas tropas rebeldes.

Os Imperiais retomaram a cidade em 1836 e, que a partir de então, sofreria três intermináveis cercos até o ano de 1838. Foi a resistência a esses cercos, que deram o título a cidade de "Mui Leal e Valorosa". Apesar do inchaço populacional daqueles tempos, a cidade só voltaria a crescer sua malha urbana após 1845. A guerra não impediu que três anos antes, o primeiro Mercado Público fosse construído, organizando o comércio nas áreas centrais.

São anos prósperos, época em que os primeiros imigrantes alemães e italianos desembarcam na capital, instalando restaurantes, pensões, pequenas manufaturas, olarias, alambiques e diversos estabelecimentos comerciais.

A Guerra do Paraguai (1865/70), transforma a capital gaúcha na cidade mais próxima do teatro de operações. A cidade recebe dinheiro do governo central, além de serviço telegráfico, novos estaleiros, quartéis, melhorias na área portuária, além da construção do primeiro andar do novo Mercado Público.

O fim da campanha do Paraguai faz o Império do Brasil mergulhar numa crise política - administrativa. O governo perdia lentamente o controle sobre as comunidades de escravos, e em 1884, o governo municipal liberta os cativos da cidade. Era a preparação para o advento da República em 1889.

Estes primeiros governos republicanos - que no Rio Grande do Sul seguiam a filosofia positivista de Augusto Comte - deixaram profundas marcas na capital gaúcha. Estes homens acreditavam numa sociedade comandada pela ditadura do presidencialismo, pelos homens íntegros e sábios. Grandes quantidades de prédios públicos são construídos nessa época, ornados com magnífica estatuária simbólica positivista. A preocupação desse grupo político com as benfeitorias e melhorias do espaço urbano vai transformar o antigo aspecto colonial da cidade. Existe uma enorme preocupação com o saneamento das áreas centrais. São destruídos os cortiços e os mal conservados prédios do centro. Durante as administrações republicanas(1889 a 1940), foram instalados na cidade a eletricidade, a iluminação pública, rede de esgotos, transporte elétrico, água encanada, as primeiras faculdades, hospitais, ambulância, a telefonia, industrias, o rádio desenvolvidos uma série de planos diretores, alguns dos quais implantados décadas depois, como o Plano Maciel de Melhorias de 1914, que seria viabilizado só nas décadas de 30 e 40.

A cidade a partir da década de 40 assume, definitivamente, seu caráter de centro administrativo, comercial, industrial e financeiro do estado. Os animais de carga, que dominavam o cenário urbano, são substituídos pelos modernos automóveis. São anos de ampliação das malhas viária da cidade. São abertas na cidades grandes avenidas, como a Farrapos, a Borges de Medeiros e a Salgado Filho. Outras são pavimentadas, como a Azenha e a João Pessoa.

A expansão do centro urbano, então, começava a se direcionar para as áreas sul e norte da península. Nas décadas de 60 e 70, grandes obras viárias são feitas na capital. São construídos os viadutos da Borges de Medeiros, da João Pessoa, o Ubirici, Tiradentes e Ildo Meneghetti. Essas obras melhoraram o fluxo de veículos na área densamente povoada da capital.

Significado do brasão 

Brasão do Município de Porto Alegre - RS

Por volta de 1730 chamava-se Porto de Viamão, depois (1740) Porto dos Dorneles e em 1752 Porto dos casais. Mais tarde (1772) passou a se chamar Porto de São Francisco dos Casais. Um ano depois (1773) muda para Nossa Senhora Madre Deus de Porto Alegre. Em 1809, o nome da capital é trocado para Vila de Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre e, em 1822, para Cidade de Porto Alegre. Em 1841 passa a se chamar Leal e Valerosa Cidade de Porto Alegre.

O brasão de Porto Alegre


Foi desenhado por Francisco Bellanca e aprovado pela Lei no. 1030, de 22 de janeiro de 1953. Durante a gestão do Prefeito Ildo Meneghetti foi mandado confeccionar o brasão de Porto Alegre, através da Lei no. 1947. 

Significados símbolos apresentados:

A cruz de Cristo - Recorda a origem cristã e portuguesa da nossa gente, foi usada na época dos descobrimentos. 

O Portão Colonial - Era o marco da entrada da cidade. Ele existiu em Porto Alegre, foi construído em 1773 quando José Marcelino de Figueiredo transportou a capital da Capitania de São Pedro.Relembra a organização da cidade, pois era fechado às 22 horas, separando o centro da cidade dos arrabaldes. 

A vida da cidade passou a acontecer a partir do Largo do Portão, em suas imediações construiu-se a Santa Casa de Misericórdia, e a Praça do Portão passou a denominar-se em 1873 Praça General Marques e, em 1912, Conde do Porto Alegre. O Portão Colonial também relembra a instalação do Clero, do Senado, da Câmara e da Justiça. 

Sustentado por um paliçal e assentado sobre um filete de outro que representa o solo rico da cidade, pois todo o terreno era plantado, agricultado e repleto de granito do qual saiu a maioria dos pedestais que sustentam os monumentos de Porto Alegre. 

A Caravela - Recorda a Nau da Nossa Senhora da Alminha que, segundo a tradição, trouxe à região do então Porto dos Dornelles ou de Viamão, os casais de açorianos que inauguram em 1751 o povoamento oficial do lugar, hoje Porto Alegre.

A Coroa Mural de Ouro - A Coroa Mural de Ouro, de cinco torres, significa cidade grande, cidade cabeça, capital. Na família, o homem é o cabeça do lar, segundo a Bíblia o homem é a cabeça do casal e a mulher é o coração. Assim, também, em um Estado, a capital é a cidade cabeça. 

O Listel de Gole - Carregado das letras de prata, recorda o heroísmo da nossa gente nas lutas políticas e sociais.

O Conjunto de Esmaltes e Metais - Relembra as cores das bandeiras do Brasil e do Rio Grande do Sul. O ouro é o símbolo de fidelidade. O azul é o céu sereno do Rio Grande do Sul. O verde, as águas mansas do Guaíba e também as campinas verdejantes do sagrado solo gaúcho. O vermelho significa a fé e o amor. A prata, a seriedade e o caráter nobre e altivo de nossa gente. 

A Frase - A frase "leal e valerosa cidade de Porto Alegre" é o título nobiliárquico que Dom Pedro II, em 1841, outorgou à Porto Alegre pela sua constância e difelidade ao trono. 

 

Ruas da cidade

As ruas citadas abaixo fazem parte do livro Porto Alegre: guia histórico de Sérgio da Costa Franco da Editora da Universidade UFRGS. Na obra, você vai encontrar as ruas que existiam na cidade até 1924, assim como personalidades, instituições e serviços públicos. Selecionamos algumas com suas peculiaridades, nomes antigos e fatos históricos. Clique no nome e confira!

Av. Assis Brasil ou Caminho do Passo da Areia

Gen. Andrade Neves ou Rua Nova

Cel. Fernando Machado ou Rua do Arvoredo

Rua Senhor do Passos ou Beco do Cordoeiro ou Beco do Couto ou Rua do Couto

Av. Praia de Belas ou Caminho de Belas

Av. Protásio Alves ou Estrada da Capela, Caminho de Viamão ou Caminho do Meio

  Rua Vinte e Quatro de Outubro ou Estrada da Aldeia ou Rua Moinhos de Vento

Sérgio da Costa Franco é natural de Jaquarão, RS. Bacharelado em História e Geografia pela Faculdade de Filosofia da UFRGS. Bacharelado em Direito pela Faculdade de Direito da UFRGS. Promotor de Justiça e Procurador. Pesquisador histórico e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul. Jornalista provisionado. Colunista do Correio do Povo de 1969 a 1983. Colunista de Zero Hora desde 1984. Ensaios históricos publicados: Júlio de Castilhos e sua época (1967); Origens de Jaguarão (1980); Porto Alegre e seu comércio (1983); Soledade na história (1975). Coletânea de crônicas: Achados e perdidos (1981); Ruas mortas (1977); Quarta página (1975).


Av. Assis Brasil ou Caminho do Passo da Areia

Grande avenida dos subúrbios, começando no Bairro São João, onde acaba a Avenida Benjamin Constant, e terminando junto à ponte do rio Gravataí, nos limites do município. Foi conhecida inicialmente como Caminho da Areia, um dos segmentos da velha Estrada da Aldeia dos Anjos, que desde o século XVIII ligou a vila de Porto Alegre à freguesia de Aldeia dos Anjos de Gravataí. Como Passo da Areia era denominado o vau do arroio da Areia, pequeno curso de água, hoje canalizado, que passa à margem do Esporte Clube São José. Toda região que lhe adjacente ficou conhecida como arrabalde do Passo da Areia, pelo menos até o obstáculo fluvial mais próximo, constituído pelo Passo da Mangueira.

Desde 1855 (out./25), a Câmara Municipal revelou preocupação com a melhoria dessa estrada, mandando nela efetuar concertos. Em 1862 (out./27), os vereadores fizeram intimar Francisco Ferreira Jardim a arrasar os valos que abrira na frente da chácara no Passo da Areia, porque os mesmos estreitavam a estrada. Em 1882 (out./29), de novos consertos cogitou a Câmara, encarregando Serafim Luiz Viegas a compor a Estrada do Passo da Areia, desde o passo desse nome até o Passo das Pedras.

A expansão e o crescimento econômico da cidade, neste século, incorporaram o antigo caminho à malha urbana, o que já se refletiu no plano de pavimentação executado pelo Presidente Alberto Bins, em 1929: implantou-se, então, na Estrada do Passo da Areia uma faixa de concreto com 4.242m² de superfície. Decreto municipal de 4/2/1944 determinou o alargamento progressivo da artéria, mediante recuo das construções, desde a Rua Horícola até a ligação com o Passo da Mangueira. E, como remate desse processo de urbanização, a via deixou de ser estrada para denominar-se Avenida Assis Brasil, por uma lei de 4/8/1948. Tornou-se esta uma importantíssima artéria, dotada de expressivo comércio e intenso tráfego, somando em sua trajetória as antigas estradas do Passo da Areia, do Passo da Mangueira e do Passo do Sarandi, até o rio Gravataí (lei de 5/5/1949).

Conforme esta última lei, passou a ter início na Igreja de São João.



Gen. Andrade Neves ou Rua Nova

É uma das ruas mais antigas da cidade, embora conhecida até bem pouco tempo pelo seu nome original de Rua Nova. Coruja*, o cronista das Antigualhas, a seu respeito o seguinte: “Bem nova era ela quando a conheci; parece ter sido aberta para uma convenção entre os moradores das ruas da Praia e da Ponte, pois as casas tanto de uma quando em grande parte tinham portão de saída para ela”.

O cronista era nascido em 1806 e suas primeiras recordações datam de 1811/12. Mas, no caso da Rua Nova, sua impressão de que ela fosse de abertura recente talvez decorresse de equivoco. Já se fala em Rua Nova em reunião de 7/1/1777 do Senado da Câmara da Capital, quando a corporação municipal decidiu alugar ali, para as suas sessões, uma casa de José Bernardes de Castro.

Durante muito tempo, até a abertura da Avenida Senador Salgado Filho no princípio da década de quarenta, ela se desenvolvia desde a Rua General Câmara até a Marechal Floriano. No início do século XIX houve a intenção de prolongá-la para o leste, até a Santa Casa, mas a anarquia imperante nas concessões de terrenos urbanos por parte dos governantes da Capitania terminou por determinar sua interrupção na antiga Rua de Bragança. Uma questão judicial que se arrastou por mais de vinte anos, entre a Câmara Municipal e Francisco Pinto de Souza, e por este vencida em 1846, obstaculizou definitivamente o processo da Rua Nova.

Seu primeiro calçamento foi determinado pela Câmara em 1843 (out./23). Mas em 1868, seus moradores já se cotizavam, oferecendo ao município a quantia em dinheiro para a reforme do calçamento.
Tendo falecido em campanha, no Paraguai, o General José Joaquim de Andrade Neves, Barão do Triunfo, a Câmara Municipal, através de resolução de 18/9/1869, deu à Rua Nova o nome de Rua do Barão do Triunfo. Entrementes, já surgira no Bairro Menino Deus, oficiosamente, a rua desse nome. O que levou a Câmara, em 26/10 do mesmo ano, a mudar a designação para Rua do General Andrade Neves, que até hoje prevalece. O bravo general gozaria de homenagem dupla.
Antes de se transformar em rua comercial, com edifícios de escritórios e vários hotéis, a Andrade Neves, no princípio do século XX, foi centro de boêmia, de pensões alegres e cabarés, entre os quais o famoso Clube do Caçadores, casa de jogo e music hall que por vinte anos deu o tom à vida noturna de Porto Alegre.



Cel. Fernando Machado ou Rua do Arvoredo

Rua do Centro, começado na Rua Gen. Vasco Alves e terminando na Rua Cel. Genuíno. Com a designação de Rua do Arvoredo, existiu desde os primeiro tempos da vila de Porto Alegre, havendo uma escritura pública de compra e venda datada de 9/5/1788 (livro n°11,1° Tabelionato, no Arquivo Público do Estado), relativa a uma “casa e cozinha de palha” fazendo frente “para a rua direta que sai da Matriz” e “fundos para a rua do Arvoredo”. Outrossim, em 11/12/1793, Félix Gomes Tourinho e sua mulher venderam a Henrique Xavier um terreno com 66 palmos de frente à Rua do Alvoredo e fundos no Riacho (livro n° 13, 1º Tabelionato, no Arquivo Público do Estado). E provável, pois, que a rua já tenha tido moradores no século XVIII. E é certo que os teve nos primeiros anos do século XIX, conforme várias referências em documentos da Câmara. Tratava-se sempre de pessoas de condição modesta. Entretanto, em 1843/fev./1°,os vereadores já estipulavam o prazo de quatro meses, para que os proprietários da Rua do Arvoredo construíssem as calçadas à frente das respectivas casas: era o primeiro sintoma de urbanização. Em 1851 (jan./10), a Câmara autorizou seu procurador a fazer um cano de tábuas nos fundos do quintal do Palácio, ali colocando de 20 a 40 carroçadas de aterro, “a fim de dar trânsito aquele lugar”; certamente, as águas que desciam do morro, inexistindo qualquer sistema de esgoto pluvial, tornariam intransitável aquele trecho. Dois anos depois (10/1/1853), cuidava-se de consertos na rua do Arvoredo, desde a Rua de Belas (atual General Auto), até o Alto da Bronze, “onde proximadamente se acabou de abrir a dita rua”. A última referência demonstra que, embora constando aberta até a Gen. Vasco Alves na planta oficial de 1839, o trecho imediato ao Alto da Bronze talvez se conservasse ainda irregular e intransitável.
A inauguração da Fonte dos Pobres, em 1857, atrás do Palácio do Governo, determinaria a realização de algumas obras complementares. À visita de uma ordem da presidência da Província, a Câmara ordenou que fossem intimados os proprietários dos terrenos fronteiros aquele chafariz, para ali construírem uma paredão, com vistas ao nivelamento e aterro daquele trecho da rua.

Em 1865, quando se deu início, na esquina da Rua Espírito Santo, à construção do alteroso Seminário Diocesano (hoje Cúria Metropolitana), ainda a Câmara concedia licença a um tambeiro, Propício de Abreu, para manter vacas de leite em seu curral à Rua do Arvoredo.

Resolução de 6/6/1870, da Câmara Municipal, mudou o nome de Rua do Arvoredo para Cel. Fernando Machado. Em verdade, a ata registra, por engano “General Fernando Machado”, o que já aparece corrigido na reunião reunião de 28/7/1870. O homenageado, Fernando Machado de Souza, natural de Florianópolis, faleceu no posto em combate de Itororó, a 6/12/1868, na Guerra do Paraguai.

Entrementes, a rua continuava socialmente modesta. Em 1869, segundo o relatório da Cia. Hidráulica Porto-Alegrense, tinha apenas oito economias ligadas à rede distribuidora de água; em 1874, as ligações alcançavam 28, porém oito se encontravam fechadas. Em 1883, a mesma Companhia prolongou o encanamento desde o chafariz até a Rua Cel. Genuíno, mas só obteve com isso oito novas penas domiciliares instaladas. No entanto, a Estatística Predial de 1892 ali registrava 234 prédios. No fim do século, havia trecho da rua maculado pela prostituição: o famigerado Beco do Céu movimentava os plantões... Em relatório do Intendente Alfredo Azevedo, em 1894, vê-se que a Intendência gastara com a compra de um terreno para “desobstrução da Rua Cel. Fernando Machado, entre Gal. Paranhos e Mal. Floriano”, sinal de que nem todo o seu alinhamento se regularizara, e que ocorriam estreitamentos no seu curso.

Segundo o relatório do Intendente José Montaury em 1906, foi neste ano que se procedeu ao calçamento da rua. A urbanização da Praça General Osório (Alto da Bronze), a construção da escadaria de acesso à Rua Gen. João Manoel em 1929, a abertura da Av. Borges de Medeiros e o ajardinamento dos fundos do Palácio do Governo foram fatores relevantes de melhoria para a Rua Cel. Fernando Machado, que hoje apresenta muitos bons edifícios residenciais, embora releve, em algumas construções mais antigas, a sua modesta origem.



Rua Senhor do Passos ou Beco do Cordoeiro ou Beco do Couto ou Rua do Couto

Da zona central. Começa na Voluntários da Pátria e termina na confluência da Rua dos Andradas com a Praça Dom Feliciano. Era, ao tempo do cronista Coruja, o Beco do Cordeiro: “Em terrenos contíguos da chácara da Brigadeira e de Ântonio Pereira do Couto havia estrada, viela ou atalho, que dava caminho da Caridade para a praia, e que não tinha nome de rua por não ter casas laterais. Edificadas algumas casinhas, foi para umas delas morar um cordoeiro chamado João, conhecido por João Cordoeiro, que deu à rua o nome de Beco do Cordoeiro, que mais tarde se veio a chamar Rua do Senhor dos Passos”.
Antes de se chamar Beco do Cordoeiro, a viela também foi conhecida como Beco do Couto ou Rua do Couto, assim figurando nas posturas municipais de 1831 e na planta da cidade em 1839. Mas um anúncio do jornal O Mensageiro, de 8/1/1836, já alude a Beco do Cordoeiro, assim como um expediente da Câmara Municipal ao presidente da Província, em 9/3/1838, solicitando a colocação de um lampião para iluminação pública, no Caminho Novo, “no canto do Beco do Cordeiro”.
Em 1841 (jan./13), o Juiz Municipal reclamou dos vereadores pelo estado intransitável das ruas do Rosário e do Cordoeiro. E a 3 de julho de mesmo ano, deliberando sobre ruas que demandavam melhoramento urgente, a Câmara mandou pedir ao presidente da Província todos os galés existentes nas prisões, para os serviços de aterro e desmonte nas ruas de Santa Catarina, da Misericórdia e do Cordoeiro. Mas quando se puseram placas às ruas, em 1843, o beco recebeu definitivamente as honras de Rua Senhor dos Passos, que nunca mais perdeu.

Em 1847, o presidente da Província, Manoel Antônio Galvão, dirigiu à Câmara Municipal vários quesitos, a fim de deliberar sobre a pretensão dos vereadores, de aumentarem a largura da Rua Senhor dos Passos, de 48 palmos para 80 palmos. Perguntava o presidente qual das três rua – a da Conceição (então Rua da Brigadeira), a própria Senhor dos Passos ou a Dr. Flores (então rua Santa Catarina) seria a mais adequada para o tráfego das carretas que baixavam para o Mercado. Responderam os vereadores que as ruas paralelas eram mais apropriadas para aquele trânsito, mas que o alargamento se fazia conveniente para favorecer “o aformoseamento do edifício da Santa Casa”, que naquela época estava sendo ampliado. Certamente, as razões não convenceram, pois não houve autorização para o alargamento. Pesava, no caso, a influência de dona Rafaela Pinto Bandeira e de toda a face leste da rua.

Em 1869, depois de instalados os serviços de distribuição de água da Cia. Hidráulica Porto-Alegrense, havia na Rua Senhor dos Passos 28 ligações domiciliares.

A Estatística Predial de 1892 encontrou 75 prédios construídos na rua, sendo 50 térreos, 14 sobrados e 11 assombrados.
O alargamento só veio a ser determinado pelo decreto de 4/2/1944, do Prefeito Antônio Brochado da Rocha: de 8,10m para 14,00m, mediante recuo progressivo das construções.



Av. Praia de Belas ou Caminho de Belas

Começa na Av. Borges de Medeiros, frente ao Orfanato do Pão dos Pobres, e termina na Rua José de Alencar.
Por Praia de Belas ou Caminho de Belas foi chamado, desde o princípio do século XIX, o segmento de litoral do Guaíba, a partir da embocadura do Riacho no rumo do sul. É um do topônimos tradicionais com origem controvertida. Segundo Coruja, o caminho teria sido aberto pelo Conde da Figueira, governador da Capitania entre 1818 e 1820; e como ele fosse filho de um titular da nobreza lusitana, Condessa ou Marquesa de Belas, “assim se pôs à rua ou praia esse nome”. Embora Coruja fosse contemporâneo da própria abertura do caminho, sua explicação não pareceu muito convincente ao historiador Walter Spalding, como a nós também não parece. Se todos os topônimos da primitiva Vila e mesmo da cidade de Porto Alegre, até 1843, foram espontâneos, nascidos da inspiração popular, nenhum deles denominando autoridades, mas sim referindo moradores da área, é muito estranho que o título nobiliárquico da distante genitora do governador da Capitania fosse dotado para denominar modesto caminho de beira-rio. Sobretudo porque, no mesmíssimo caminho, havia a coincidência de morar pessoa conhecida e de expressão na comunidade local, que era Antônio Rodrigues Belas. Numa convocação à “Nobreza do Povo”, feita em 15/3/1817, pelo Senado da Câmara, para decidir sobre o problema da arrematação dos açougues da vila, Belas aparece entre os votantes; em 16/12/1818, surge como arrematante do contrato de aferição de pesos e medidas. Em sucessivas licitações, em 1819,1824 e 1829, habilita-se à função de aferidor, o que naturalmente o tornaria muito conhecido de todos quantos operassem no comércio, obrigados à aferição regular de suas quartas, côvados, varas e canadas. Foi ainda, mais tarde, procurador da Santa Casa e administrador da construção da doca do Mercado.

Por isto e por aquilo, o certo é que em sessão da Câmara Municipal, a 28/8/1824, “se mandou passar edital, pelo qual se faça público que ninguém possa extrair areia no Caminho novo de Belas”. Foi a primeira referência oficial que lhe achamos. Mas, daí em diante, elas se tornam muito freqüentes.

Em meados do século XIX, embora continuassem como lugar de chácaras e sítios, a Praia de Belas começava a povoar-se de moradores, dando margem a preocupações com o alinhamento, senão das casas, pelo menos das respectivas cercas. Em 1845 (abr./21), João Batista da Silva Pereira, futuro Barão do Gravataí, requereu marcação do alinhamento “onde deve mandar fazer a cerca em uma sua chácara que possui no Caminho de Belas”. Em 1857 (jul./20), os vereadores ordenam o orçamento da despesa a ser feita com o aterro “no caminho chamado Praia de Belas, desde a ponte de pedra até a frente da chácara de D. Feliciana Prima de Castro”, regulando-se a largura pela que há em frente à casa da Baronesa do Gravataí. Em 1861 (nov./16), a Câmara mandou fazer os consertos de que carecia a “rua de Belas em frente à chácara da Exma. Baronesa do Gravataí, aceitando para isso um donativo oferecido “por moradores ou pessoas que ali possuem chácaras”: Frederico Bier, Baronesa do Gravataí, Francisco Batista da Silva Pereira, Isidoro Pereira de Barbedo, João de Castro Canto e Melo, José Cândido Rodrigues Peres, Luiz Antônio de Medeiros, Manoel Nunes do Nascimento e José Antônio da Silva Veiga.
O caminho era sedutor. Não lhe faltavam projetos e tentativas de aperfeiçoamento. Em 1869, o presidente da Província comunicava ao município ter nomeado uma comissão para dirigir a construção de um cais de pedra na Praia de Belas, a partir da ponte do Riacho. Esse cais, iniciado em 1870, foi prolongado mais tarde até as imediações da antiga cadeia. Deu margem a uma crônica de Aquiles Porto Alegre (“O Cais da Cidade Baixa”): “Existe há muitos anos um longo trecho de cais, que partindo das imediações da cadeia, vai por aí fora a Ponte de Pedra sobre o Riachinho, e continua depois abeirando dos quartéis da Brigada Militar. O cais foi bem construído e atesta o zelo e a competência do engenheiro incumbido dessa construção. Nesse trabalho foi consumida não pequena soma, e pena é que aquele serviço não esteja ainda completo pela falta de arborização, que devia acompanhar as obras de alvenaria”.

Talvez em função da crônica de Aquiles, foram plantados salsos-chorões, desde a Ponte de Pedra até o quartel da Infantaria da Brigada Militar. Eram um belo elemento decorativo, que Theodomiro Tostes evocou em sua “Cantilena Provinciana”: “Chorões da Praia de Belas/ chorando seu choro verde”.

Como em toda a enseada da Praia de Belas, o Guaíba apresentasse pequena profundidade e tendesse, cada vez mais, a aumentar seu assoreamento, o município projetou ali um grande aterro, que conquistaria uma larga faixa ao rio-lago e seria rematada pela construção de uma Avenida Beira-Rio. O respectivo projeto foi aprovado por lei de 10/11/1955. De sua execução, consumada nos anos subseqüentes, resultou ficar a Praia de Belas afastada do rio, perdendo inteiramente suas características originais. Lei municipal de 7/11/1961 oficializou o nome de Av. Praia de Belas, desde a Av. Borges de Medeiros até a Rua José de Alencar. Daí em diante, já se achava oficializado o nome de Av. Padre Cacique, originalmente também um segmento da Praia de Belas.

Av. Protásio Alves ou Estrada da Capela, Caminho de Viamão ou Caminho do Meio

A mais extensa radial da cidade, começando no fim da Av. Osvaldo Aranha, de que é continuação, e terminando na divisa do município de Viamão. Foi conhecida no passado como Estrada da Capela, Caminho de Viamão e Caminho do Meio. Destes topônimos, o último prevaleceu por muito tempo, talvez por expressar uma realidade geográfica muito palpável: das três estradas rurais que saíam de Porto Alegre – a de Mato Grosso, que demanda Viamão pela Azenha, a de Gravataí, e o próprio Caminho de Viamão, assim mencionado por ser o mais antigo, este era o do meio.

Depois de pacificada a Província em 1845, começaram as providências para melhorar os caminhos de ligação entre a capital e as freguesias de sua circunscrição. Assim, naquele ano, em 16/setembro, a Câmara Municipal aprovou que o fiscal fosse autorizado a convidar os moradores que transitavam pela Estrada do Meio, a se reunirem e concorrerem com o necessário “para o conserto da referida estrada, no lugar em que a mesma se acha intransitável, próximo à chácara do Teles”.

Em 1852 (jul./28), é uma autorização dos vereadores para ser orçada a despesa com aterro e consertos na Estrada do Meio, desde a chácara do Dr. Capistrano (João Capistrano de Miranda e Castro) até a da Viscondessa de São Leopoldo. Em 1856 (ago./20) eram postos em praças de arrematação “os consertos da Estrada do Meio, na descida do Forte”.
Depois de autorizados novos consertos, vê-se, pela ata de 11/7/1882, da Câmara Municipal, que o presidente da corporação fora, com o Vereador Leopoldo Masson, examinar o serviço e achara regular, “e que a fim de que não se arruinasse aquela estrada, contratou Eufrázio José dos Santos, pela quantia de 200$000 anuais,a conservação da mesma, desde a desembocadura no Campo do Bom Fim”.

Após a República, e por influência de Felicíssimo de Azevedo, o Caminho do Meio foi oficialmente denominado Estrada do Capitão Montanha, em homenagem ao Capitão Alexandre José Montanha, do Exército Português, que foi o primeiro urbanista, engenheiro, topógrafo e agrimensor da Vila de Porto Alegre. Na Estatística Predial de 1892, essa via pública aparece apenas com dez prédios térreos registrados, indício certo de que continuava sendo um caminho rural.

Só a planta de 1916 acusa algum desenvolvimento urbano no início do Caminho do Meio,onde já se podem ver, além das ruas Esperança e Mariante, que são transversais antigas, as ruas Francisco Ferrer, Giordano Bruno, São Manoel, Travessa Caminho do Meio (atual Rua Cel. Paulino Teixeira), Rua Dona Leonor, Rua Treze (hoje Dr. Alcidez Cruz), João Guimarães, São Vicente, Larga (hoje Santa Cecília) e Boa Vista (atual Vicente da Fontoura), que seria o ponto extremo. Mas um efetivo desenvolvimento só aconteceu na década de trinta, como resultado da expansão dos numerosos loteamentos implantados além das ruas citadas.

Um mapa municipal de 1928 já mostra, traçadas e denominadas, quase todas as atuais ruas do Bairro Petrópolis, embora se saiba que permanecesse fracamente ocupadas. O cronista Ary Veiga Sanhudo relatou em uma de suas crônicas (“Petrópolis”, em Crônicas de minha cidade, Ed. Movimento, 1975, p.138): “Recordo apenas que em 1933, quando tive que prestar o serviço militar, ainda aluno dum Tiro de Guerra, todas as manobras de campanha da nossa turma foram executadas na colina de Petrópolis, mais ou menos aí pelo local onde hoje se encontra a moderna Caixa D'Água, precisamente ao lado da pequena e interessante praça Buri”.

A lei de 6/7/1936 mudou a denominação de Caminho do Meio para Av. Protásio Alves, começando então a seqüência de transformações urbanísticas da área. O Decreto Municipal nº. 84, de 11/10/1939, regulando a cobrança, em prestações, do calçamento, cordões e demais obras realizadas à Av. Protásio Alves,foi a culminação de uma série de obras de calçamento, desmonte, aterros, construção de muros de arrimo e implantação de meios fios, realizados pela prefeitura na administração do Prefeito José Loureiro da Silva.

A linha de bondes da Carris, que antes não ultrapassava a Rua Vicente da Fontoura, foi estendida até a esquina da Rua Carazinho. E, numa demonstração de que a avenida assumia crescente importância e recebia um progressivo tráfego, o decreto de 4/2/1944, do Prefeito Antônio Brochado da Rocha, determinou seu alargamento, de 22 para 30 metros, mediante recuo progressivo das construções.

A denominação homenageia o Dr. Protásio Alves, nascido em Rio Pardo em 1958 e falecido em Porto Alegre em 5/6/1933, que foi vice-presidente do Estado por duas vezes, fundador e primeiro diretor da Faculdade de Medicina.



Rua Vinte e Quatro de Outubro ou Estrada da Aldeia ou Rua Moinhos de Vento

Importante artéria dos bairros Independência, Moinhos de Vento e Auxiliadora. Começa na Praça Júlio de Castilhos e termina na confluência da Av. Plínio Brasil Milano com a Rua Auxiliadora.

Corresponde basicamente ao traçado da estrada que se dirigia à Freguesia da Aldeira dos Anjos (Gravataí), e que era por isso conhecida como Estrada da Aldeia. Depois que Antônio Martins Barbosa, conhecido como Barbosa Mineiro, instalou moinhos de vento em sua propriedade nos arredores da cidade, próximo à atual Rua Barros Cassal, a saída para a Estrada da Aldeia começou a ser chamada de Estrada dos Moinhos de Ventos – uma denominação que a princípio pertenceu à atual Av. Independência, e que depois se comunicou ao seu prolongamento natural que é hodierna Rua 24 de Outubro. A planta de Porto Alegre em 1888 mostra a Estrada dos Moinhos de Vento com grande extensão, inflectido para a zona rural. Já se alude, todavia, à Rua Moinhos de Vento em anúncios de 1878.

Mas o processo de organização dessa radial foi relativamente lento. A Estatística Predial de 1892 apenas registrou um total de 11 prédios cadastrados na Rua Moinhos de Vento: nove casas térreas e dois sobrados. A implantação da primeira linha de bondes, da Cia. Carris Urbanos, em 1893, e a imediata inauguração do Prado Independência em 1894, foram os elementos estimuladores do desenvolvimento da rua. A subseqüente construção da Hidráulica dos Moinhos de Vento, em 1904, terá sido outro fator da introdução de melhoramentos urbanos da área.

O assentamento dos cordões de calçada foi iniciativa da Intendência no exercício administrativo de 1907/1908, quando também começaram a circular os bondes elétricos até a esquina da Rua Cel. Bordini. As tubulações para a iluminação pública, numa extensão de 1.510 metros pertenceram ao exército de 1912/1913, conforme o respectivo relatório do Intendente Montaury. È por essa época que começaram implantar-se vários loteamentos adjacentes à Rua Moinhos de Vento, valorizando-a definitivamente.

O decreto municipal de 24/10/1933 mudou a denominação de Rua Moinhos de Vento para a atual, em homenagem à data do golpe militar que depôs o Presidente Washington Luís Pereira de Souza, em 1930, quando já deflagrada a revolução da Aliança Liberal.

Em 4/2/1944, o Prefeito Antônio Brochado da Rocha decretou seu alargamento progressivo mediante recuo das construções, de 18 para 25 metros, desde a Rua Ramiro Barcelos até a Av. New York, e para 21 metros, desde a Av. New York até a Rua Auxiliadora.

* O cronista Coruja que o autor cita nos textos é Antônio Álvares Pereira da Coruja

 

Marcas do tempo

A enchente de 1941 - Porto Alegre - RS

A enchente de 1941

No dia 08 de maio de 1941 a população do centro e de vários bairros de Porto Alegre acordaram alarmados. A enchente atingia o só ápice e os caíques invadiram as ruas alagadas da Capital, dando à cidade o aspecto semelhante ao de Veneza, cidade italiana cortada por canais. A famosa enchente de 1941 resultou em uma série de estudos, projetos e obras para a contenção do Guaíba, entre os quais as avenidas Castelo Branco e Beira-Rio, além do Muro da Mauá, com seus 2.647 metros de extensão. A inundação foi resultado das chuvas que caíram durante 22 dias, alcançando a marca de 619,4 milímetros. Simultaneamente, choveu em toda a bacia hidrográfica dos formadores do Guaíba. No dia 08, quando o nível máximo seria atingido (4,73 metros) as águas cobriram toda a Praça da Alfândega, invadiram a Rua dos Andradas, as suas transversais e a Otávio Rocha. 

Nos bairros, a água cobriu grande parte do navegantes, São Geraldo, Menino Deus, Praia de Belas, Azenha e Santana. Houve mais de 40 mil flagelados. Em municípios do Interior a enchente teve proporções mais dramáticas, deixando um milhão de gaúchos flagelados.

Campanha da legalidade

Em 25 de agosto de 1961, Jânio Quadros, "pressionado por forças ocultas", renuncia à presidência, quase sete meses após ter assumido. Em seu lugar, deveria tomar posse o vice-presidente João Goulart, que estava em missão oficial à China Comunista. Com essa perspectiva, as forças conservadoras civis e militares mobilizavam-se, demonstrando rejeição ao vice-presidente. Mobilizado na Campanha da Legalidade, o Rio Grande do Sul resistiria à tentativa de impedir a posse de João Goulart, sob a liderança do governador Leonel Brizola. Em defesa da posse de jango, a população se organizou para defender a Constituição Federal. Durante 12 dias, milhares de porto-alegrenses permaneceram diante do Palácio Piratini, mesmo sob ameaças de ataques e bombardeios. 

Campanha da legalidade - Rio Grande do Sul
No dia 27 de agosto, o general Machado Lopes, comandante do 3º Exército, comunica seu apoio à Legalidade, contrariando ordem do Ministério da Guerra de reprimir o levante. O parlamentarismo foi a saída encontrada para pôr fim ao impasse: Jango assumiria o poder, mas sob um regime parlamentarista. No dia 07 de setembro de 1961, Jango assumia a presidência da República, dando fim ao movimento cívico-militar que envolveu todo o País.
Revolução Farroupilha - Rio Grande do Sul (Maiores informações - Gaúcho®Site)

Revolução farroupilha:

No dia 20 de setembro de 1835, tropas farroupilhas comandadas por Bento Gonçalves invadiram Porto Alegre, dando início a mais longa revolta brasileira do período Imperial. Os problemas econômicos que atingiam as classes dominantes gaúchas figuram entre as principais causas da Guerra dos farrapos, que contou com as camadas pobres da população como a massa de apoio no processo de luta. A elite fazendeira do Rio Grande do Sul contestava a centralização política, o desinteresse do governo central pelos problemas das províncias e os tratados comerciais que prejudicavam o país. Contestavam também impostos e as baixas taxas alfandegárias cobradas na importação de produtos estrangeiros, principalmente o charque (carne-seca) argentino e uruguaio, que concorria com mercados consumidores brasileiros, arruinando a economia gaúcha. O momento máximo da expansão do movimento deu-se em 1839, com a fundação da república Juliana, na cidade de Laguna em Santa Catarina, sob comando de Davi Canabarro e de José Garibaldi. O Tratado de Ponche Verde, assinado 1845, pôs fim ao conflito que durou 10 anos. 

Movimento das diretas já

No dia 13 de abril de 1984, os porto-alegrenses se reuniram para dizer "não" a 21 anos de regime Militar, a exemplo do que vinha sendo feito em outras capitais do Brasil. Reunidos no Largo da prefeitura de Porto Alegre, uma multidão exigiu eleições diretas para presidente da República. O principal articulador deste movimento foi o deputado Ulysses Guimarães, chamado na época de "Senhor Diretas". A campanha reuniu políticos de vários partidos: Leonel Brizola, Luís Inácio Lula da Silva, Roberto Freire, Pedro Simon, Franco Montoro e Teotônio Vilela. 

Movimento das Diretas Já - Rio Grande do Sul
No palanque, estavam pessoas que haviam sido torturadas, políticos que haviam sido exilados, sindicalistas e religiosos. No dia 25 de abril de 1984, a emenda constitucional Dante de Oliveira, que propunha a eleição direta para presidente, foi rejeitada no Congresso Nacional. A insatisfação popular que resultou disso terminou por dar vitória à oposição na eleição indireta que se seguiu.

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