Saudações do Minú

 

Porto Alegre - RS  |

 

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PORTO ALEGRE RS

 

DIALETO

visitante!

 

Vou pra Porto Alegre, tchau !

O porto-alegrense 'um bicho de hábitos e características facilmente detectáveis. No intuito de ajudar os forasteiros a identificarem o Homo portoalegrensis, segue uma lista de indícios que é batata. Se você quiser acrescentar alguma pista, é só mandar para o e-mail no final do texto. Confere só a relação - e vê se não é por aí:

1 - Divide o domingo entre antes e depois da passadinha no Brique.

2 - A partir de julho, pára de comprar livros para aproveitar os descontos e os balaios da feira da Praça da Alfândega.

3 - Odeia o muro da Mauá.

4 - Fala mal das praias gaúchas, mas nunca recusa aquele convite do cunhado para passar o fim de semana em Imbé.

5 - Desfila na rua com cuia e garrafa térmica como se fosse tri-normal.

6 - Ama ou odeia o PT, sem meios termos.
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Homo portoalegrensis

7 - Acredita que a última batalha não será entre o bem e o mal, a luz e as trevas, mas entre gremistas e colorados.

8 - Em uma tarde, consegue mostrar todos os "pontos turísticos" da cidade aos amigos que vêm de fora.

9 - Acha que Porto Alegre tem quase todos os defeitos de uma cidade grande e mais algumas desvantagens de uma cidade pequena, mas seria capaz de partir pra briga com qualquer "estrangeiro" que ousasse dizer uma barbaridade dessas.

10 - Acredita piamente que existe uma comprovação científica para o fato de o pôr-do-sol no Guaíba ser o mais bonito do planeta.

Fonte: Zero Hora - 14/06/2000

Expressões Porto-alegrenses

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Toda cidade tem um jeito, uma forma peculiar de falar. São expressões que marcam o lugar e acabam se tornando uma espécie de "dialeto" daquele grupo social. E os porto-alegrenses têm um jeito muito especial de se comunicar. Confira aqui algumas pérolas da cidade e contribua enviando as que conhece.

A TROCO - como quem diz " a troco de quê?". Algo como "porquê?", "pra quê?".

ALERTAR OS GANSOS - Dar alarme sobre algo. Despertar a atenção indesejadamente.

ARREGAR - Ficar com medo.

AZAR É DO GOLEIRO - Tipo "doa a quem doer". "Não quero saber, não tô nem aí!".

BAIA - O mesmo que casa. Sendo baia a casa do cavalo, aqui virou casa de gente.

BAITA - Baita é baita. É muito grande. O fulano é baita parceiro. A fulana é baita gostosa.
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Imagens de Porto Alegre BALAQUEIRO - Indivíduo provido de pseudo-malandragem. Metido, cheio de onda. Enfeitado.

BEM NESSAS - Significa dizer " sim, isso mesmo, eu concordo contigo".

CACETINHO - Aquele pão de 50g. Chamado de pão francês em outros rincões, aqui é cacetinho mesmo.

CAGANDO E ANDANDO - O cara que não tá se importando muito com determinada situação. Mesmo que seja difícil imaginar a cena.

CHINELÃO - Xingamento que designa indivíduo com pouca classe, desarrumado, sem muito traquejo social. E mais um pouco.

DE CARA - Chocado, surpreso e até mesmo magoado. Tudo junto. "Ô meu, o fulano tá de cara contigo!". Também pode significar o sujeito que não está sob algum estado alterado de consciência.

DE CANTO - Discretamente, sem chamar a atenção.

DE RACHAR - Geralmente refere-se ao frio muito intenso. "Bah, hoje tá fazendo um frio de rachar os beiços". Mas pode se referir aos efeitos do Sol. "Putz, um sol de rachar!" Rachar a cabeça, imagino.

DE LAMBE OS BEIÇOS - O mesmo que dizer: E dê-se por satisfeito!

ENCHER O BUXO - Comer demasiadamente. Um pouco além do recomendado.

ESCANGALHADO - Em estado lamentável. Esbodegado.

FAZ A FRENTE - O mesmo que "Faz a mão". Quer dizer: Pô fulano, dá um jeito aí. Também pode ser: Vai, toma a iniciativa.

FECHOU O PAU - Estranho, mas quer dizer que aconteceu uma briga, uma confusão, um tumulto. Pode ser também "fechou a rosca", ou ainda "fechou o tempo".

FINDI - Forma apocopada para fim-de-semana. "Nesse findi eu vou pra Magistério".

GENTE FINA - Diz-se de indivíduo com qualidades e virtudes. Amigo, parceiro, "dus meu".

GODÔ - Artimanha, despiste, desculpa esfarrapada. "O fulano me deu um godô".

GURI DE APARTAMENTO - diz-se do indivíduo sem muita malandragem, criado dentro de casa, mimado. Variação: guri de carpete.

HUGO
- Onomatopéia típica para o vômito. "Bah, ontem cheguei em casa mamado e chamei o hugo".

INDIADA - Situação pouco agradável, programa indesejado. "Bah, o fulano me mete em cada indiada".

JÁ ERA - Termo muito usado para indicar a finitude de uma situação. Algo que não volta mais. "Viajou, magrão, fez a cagada agora já era".

JÓIA - Legal, ou "tri legal", bacana. Diz-se de pessoas ou coisas. "A fulaninha é bem jóia, né".
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LAGARTEANDO - Diz-se do sujeito que está ao sol, aquecendo-se. "Hoje tá bom pra pegar um chimas e ir pra Redença, lagartear".

LIGA - Situação favorável, sorte. "Bah, dei uma baita liga".

LOMBA - Lomba é lomba, ora. Mas no resto do país é ladeira.

ME ABRI PRA TI - Algo como: " tu é o cara mesmo!". Tirei o chapéu.

Imagens de Porto Alegre

MIJADA- O mesmo que bronca. "Minha chefe me deu uma mijada".

MONTAR NUM PORCO - Ficar muito chateado com determinada situação. Ficar puto da cara.

NÁMOR - Em Porto Alegre temos a mania de diminuir, carinhosamente, as palavras. Assim namorada vira námor, chimarrão vira chimas, Redenção é Redença e por aí vai.

NÃO CAGA NEM DESOCUPA A MOITA - Humm. Pois é. Expressão usada para o sujeito que não se decide. Não vai nem fica. Não anda nem desanda.

NÃO DÁ NADA - Algo como: "não te preocupa, isso não vai nos trazer problemas futuros". Ou simplesmente: "Não esquenta".

NICADA - O mesmo que fazer amor, transar. Maneira chula de se referir ao ato sexual. "Tô loco pra dar uma nicada".

O QUE É UM PEIDO PARA QUEM TÁ CAGADO - Muito usada para justificar uma atitude inesperada para alguém em situação desfavorável, sobretudo financeiramente.

O QUE NÃO MATA ENGORDA - Expressão muito usada quando se come algo de gosto ou aspecto duvidoso. Serve para acalmar a "vítima".

O Ó DO BOROGODÓ - Essa expressão, com som tão agradável, é usada para dizer que certa coisa é ruim, "de última", "o fim da picada".

PEGA RATÃO - A UFRGS (diz-se úrguis) costuma usar muito em seus vestibulares. Apresenta uma questão relativamente fácil e os vestibulandos mocorongos acabam caindo. É uma armadilha, um embuste.

PRA TI VÊ
- Expressão usada para indicar a confirmação e/ou surpresa em determinada situação. "A guria me deu um pé na bunda. Pra tu vê como são as coisas". Bom, talvez não seja bem isso.

PROFÍ - Coisa de profissional. Especial mesmo. "Pô, esse site de Porto Alegre ficou profí!".

QUALÉ O TEU PASTEL? - Não é o balconista perguntando que sabor tu queres. Mas sim "qual é a tua?". Uma interpelação brincalhona, mas nem sempre. Depende do tom.

QUE TAL? - Usada como saudação. Ao invés de dizer "oi, tudo bem?" se diz "ó, que tal?". Também usada em tom elogioso "Mas que tal, hein!".

RATEADA - Ato de vacilar, fazer algo errado, cometer um deslize. "Bah, meu, que rateada!".

RESPONSA
- Forma diminuída de responsabilidade. "Olha a responsa!", quando se chama a atenção do sujeito para o seu dever. Tem também o "na responsa". Significa algo bem feito, caprichado. "Olha esse sanduba que fiz pra ti, na responsa."
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Imagens de Porto Alegre REVESGUEIO - No futebol quando se pega de mal jeito na bola. Também serve para olhar de canto do olho, de solsaio. "Tá me olhando de revesgueio".

SARNA PARA SE COÇAR - Situação que poder gerar confusão. "Tu tá é procurando sarna pra se coçar". Procurando encrenca, incomodação.

SE ATACOU DAS BICHAS
- Diz-se da criatura que teve um "faniquito". Se irritou com determinada situação.

SE ESCALAR - Ato de tirar proveito da bondade alheia. "A pinta já foi se escalando pro churras."

TÁ BONITO, TÁ ORDEIRO - Algo que está como deveria. Em pleno funcionamento. Numa boa.

TABACUDO - Sujeito abobado, mangolão, tanso.

TE LIGA - Usado para chamar a atenção do indivíduo. "Te liga, magrão".

UM PÉ LÁ E OUTRO CÁ - Advertência, geralmente usada pelas mães, para avisar a criatura para não se demorar, porque senão vai ter.

VAI QUE É UM DODGE - Diz -se de algo que vai muito bem, que dá certo. Vai que é uma beleza.

VARZEANO - Adjetivo pejorativo para suburbano, quase um chinelão. De origem futebolística, provavelmente.

VELHO DO SACO - Ser folclórico do imaginário coletivo. Muito usado no lugar do bicho-papão para "incentivar" uma criança a fazer algo. "Pare de incomodar senão eu te entrego pro velho do saco". Hoje algumas mães já usam a Nazaré, da novela das oito, com o mesmo efeito.

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Folclore

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Como capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre tem o folclore gaúcho como cartão de visitas. Homens fortes e trigueiros, que vestem bombachas e calçam botas de couro, fazem par com mulheres de longas saias coloridas e flores nos cabelos. Os gaúchos e prendas, anfitriões oficiais, convivem com outros espécimes folclóricos, representantes legítimos das mais de 25 etnias formadoras do povo, especialmente alemã e italiana. Apesar destas culturas terem absorvido parte dos costumes locais e fornecido contribuições importantes para a formação do povo do Rio Grande do Sul, o estereótipo do Gaúcho é vinculado principalmente ao chamado "pelo duro" - resultante da miscigenação do índio com o lusitano.

Sua língua é quase um dialeto, entremeado de palavras castelhanas. Fala pausadamente e ri com parcimônia, embora seja afável na acolhida aos forasteiros. Na intimidade pode tornar-se conservador e até fanfarrão. Os bailes gaúchos - chamados fandangos - são animadíssimos. As mulheres têm fama de belas e donas de forte personalidade, apesar de discretas.

O lendário chimarrão gaúcho é uma das muitas formas de tomar mate - uma infusão preparada com a chamada "erva-mate". Os índios guaranis acomodavam a beberagem no fruto da porongueira e a sorviam em canudos de taquara. O gaúcho conservou a cuia de porongo mas substituiu a taquara por bombas de metal.

O mate predileto dos gaúchos é o chimarrão, quente e amargo. O chimarrão é um ritual coletivo onde todos compartilham a mesma bomba e a mesma cuia. Seu simples oferecimento a alguém - sempre com a mão direita - é um sinal de apreço.

A roupa do gaúcho - a pilcha - é uma singular composição de culturas antagônicas. As botas de couro, o chapéu e a boina estilo basco são legados portugueses e espanhóis. A faixa na cabeça e o poncho-pala foram herdados dos índios missioneiros. A bombacha tem origem turca. O lenço de seda, inventado pelo próprio gaúcho, já revelou o posicionamento político. Menos complexos, os vestidos das mulheres ricas copiavam as indumentárias européias feitas com veludo e seda. Os cabelos, normalmente recolhidos em coques, eram enfeitados com pentes espanhóis. As pobres usavam saias e blusas simples e adornavam os penteados com flores. Os figurinos acabaram ganhando uma versão florida de algodão - hoje conhecidos como vestido de prenda - popularizada na Guerra do Paraguai.

Gaúchos e prendas vestidos à caráter podem ser encontrados nos Centros de Tradição Gaúcha (CTGs). Distribuídos por todo o Estado e mesmo fora dos limites do Rio Grande do Sul, os CTGs são associações civis criadas para cultuar os costumes gaúchos. Dentro dos CTGs acontecem os bailes, chamados Fandangos - nome herdado das danças portuguesas que mesclavam canto e sapateado.

Aparentada da música folclórica uruguaia e argentina, a música gaúcha é riquíssima. Os temas são, quase sempre, o campo, o cavalo e a mulher amada.

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