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Toda
cidade tem um jeito, uma
forma peculiar de falar. São
expressões que marcam o
lugar e acabam se tornando
uma espécie de
"dialeto"
daquele grupo social. E os
porto-alegrenses têm um
jeito muito especial de se
comunicar. Confira aqui
algumas pérolas da cidade
e contribua enviando as
que conhece.
A
TROCO - como
quem diz " a troco de
quê?". Algo como
"porquê?",
"pra quê?".
ALERTAR
OS GANSOS - Dar
alarme sobre algo.
Despertar a atenção
indesejadamente.
ARREGAR
- Ficar com medo.
AZAR
É DO GOLEIRO -
Tipo "doa a quem
doer". "Não
quero saber, não tô nem
aí!".
BAIA
- O mesmo que casa. Sendo
baia a casa do cavalo,
aqui virou casa de gente.
BAITA
- Baita é baita.
É muito grande. O fulano
é baita parceiro. A
fulana é baita gostosa.
-
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BALAQUEIRO
- Indivíduo
provido de
pseudo-malandragem.
Metido, cheio de
onda. Enfeitado.
BEM
NESSAS
- Significa dizer
" sim, isso
mesmo, eu concordo
contigo".
CACETINHO
- Aquele pão de
50g. Chamado de pão
francês em outros
rincões, aqui é
cacetinho mesmo.
CAGANDO
E ANDANDO
- O cara que não
tá se importando
muito com
determinada situação.
Mesmo que seja difícil
imaginar a cena. |
CHINELÃO
- Xingamento que
designa indivíduo com
pouca classe, desarrumado,
sem muito traquejo social.
E mais um pouco.
DE
CARA - Chocado,
surpreso e até mesmo
magoado. Tudo junto.
"Ô meu, o fulano tá
de cara contigo!".
Também pode significar o
sujeito que não está sob
algum estado alterado de
consciência.
DE
CANTO -
Discretamente, sem chamar
a atenção.
DE
RACHAR -
Geralmente refere-se ao
frio muito intenso. "Bah,
hoje tá fazendo um frio
de rachar os beiços".
Mas pode se referir aos
efeitos do Sol. "Putz,
um sol de rachar!"
Rachar a cabeça, imagino.
DE
LAMBE OS BEIÇOS
- O mesmo que dizer: E dê-se
por satisfeito!
ENCHER
O BUXO - Comer
demasiadamente. Um pouco
além do recomendado.
ESCANGALHADO
- Em estado lamentável.
Esbodegado.
FAZ
A FRENTE - O
mesmo que "Faz a mão".
Quer dizer: Pô fulano, dá
um jeito aí. Também pode
ser: Vai, toma a
iniciativa.
FECHOU
O PAU -
Estranho, mas quer dizer
que aconteceu uma briga,
uma confusão, um tumulto.
Pode ser também
"fechou a
rosca", ou ainda
"fechou o
tempo".
FINDI
- Forma apocopada
para fim-de-semana.
"Nesse findi eu vou
pra Magistério".
GENTE
FINA - Diz-se
de indivíduo com
qualidades e virtudes.
Amigo, parceiro, "dus
meu".
GODÔ
- Artimanha,
despiste, desculpa
esfarrapada. "O
fulano me deu um godô".
GURI
DE APARTAMENTO -
diz-se do indivíduo sem
muita malandragem, criado
dentro de casa, mimado.
Variação: guri de
carpete.
HUGO
- Onomatopéia típica
para o vômito. "Bah,
ontem cheguei em casa
mamado e chamei o hugo".
INDIADA
- Situação pouco agradável,
programa indesejado.
"Bah, o fulano me
mete em cada
indiada".
JÁ
ERA - Termo
muito usado para indicar a
finitude de uma situação.
Algo que não volta mais.
"Viajou, magrão, fez
a cagada agora já
era".
JÓIA
- Legal, ou "tri
legal", bacana.
Diz-se de pessoas ou
coisas. "A fulaninha
é bem jóia, né".
-
LAGARTEANDO
- Diz-se do
sujeito que está
ao sol,
aquecendo-se.
"Hoje tá bom
pra pegar um
chimas e ir pra
Redença,
lagartear".
LIGA
- Situação favorável,
sorte. "Bah,
dei uma baita
liga".
LOMBA
- Lomba é
lomba, ora. Mas no
resto do país é
ladeira.
ME
ABRI PRA TI
- Algo como:
" tu é o
cara mesmo!".
Tirei o chapéu. |

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MIJADA-
O mesmo que bronca.
"Minha chefe me deu
uma mijada".
MONTAR
NUM PORCO -
Ficar muito chateado com
determinada situação.
Ficar puto da cara.
NÁMOR
- Em Porto Alegre temos a
mania de diminuir,
carinhosamente, as
palavras. Assim namorada
vira námor, chimarrão
vira chimas, Redenção é
Redença e por aí vai.
NÃO
CAGA NEM DESOCUPA A MOITA
- Humm. Pois é. Expressão
usada para o sujeito que não
se decide. Não vai nem
fica. Não anda nem
desanda.
NÃO
DÁ NADA - Algo
como: "não te
preocupa, isso não vai
nos trazer problemas
futuros". Ou
simplesmente: "Não
esquenta".
NICADA
- O mesmo que fazer amor,
transar. Maneira chula de
se referir ao ato sexual.
"Tô loco pra dar uma
nicada".
O
QUE É UM PEIDO PARA QUEM
TÁ CAGADO -
Muito usada para
justificar uma atitude
inesperada para alguém em
situação desfavorável,
sobretudo financeiramente.
O
QUE NÃO MATA ENGORDA
- Expressão muito usada
quando se come algo de
gosto ou aspecto duvidoso.
Serve para acalmar a
"vítima".
O
Ó DO BOROGODÓ -
Essa expressão, com som tão
agradável, é usada para
dizer que certa coisa é
ruim, "de última",
"o fim da
picada".
PEGA
RATÃO - A
UFRGS (diz-se úrguis)
costuma usar muito em seus
vestibulares. Apresenta
uma questão relativamente
fácil e os vestibulandos
mocorongos acabam caindo.
É uma armadilha, um
embuste.
PRA
TI VÊ
- Expressão usada
para indicar a confirmação
e/ou surpresa em
determinada situação.
"A guria me deu um pé
na bunda. Pra tu vê como
são as coisas". Bom,
talvez não seja bem isso.
PROFÍ
- Coisa de profissional.
Especial mesmo. "Pô,
esse site de Porto Alegre
ficou profí!".
QUALÉ
O TEU PASTEL? -
Não é o balconista
perguntando que sabor tu
queres. Mas sim "qual
é a tua?". Uma
interpelação
brincalhona, mas nem
sempre. Depende do tom.
QUE
TAL? - Usada
como saudação. Ao invés
de dizer "oi, tudo
bem?" se diz "ó,
que tal?". Também
usada em tom elogioso
"Mas que tal,
hein!".
RATEADA
- Ato de vacilar, fazer
algo errado, cometer um
deslize. "Bah, meu,
que rateada!".
RESPONSA
- Forma diminuída
de responsabilidade.
"Olha a responsa!",
quando se chama a atenção
do sujeito para o seu
dever. Tem também o
"na responsa".
Significa algo bem feito,
caprichado. "Olha
esse sanduba que fiz pra
ti, na responsa."
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REVESGUEIO
- No
futebol quando se
pega de mal jeito
na bola. Também
serve para olhar
de canto do olho,
de solsaio. "Tá
me olhando de
revesgueio".
SARNA
PARA SE COÇAR
- Situação que
poder gerar confusão.
"Tu tá é
procurando sarna
pra se coçar".
Procurando
encrenca, incomodação.
SE
ATACOU DAS BICHAS
- Diz-se da
criatura que teve
um
"faniquito".
Se irritou com
determinada situação. |
SE
ESCALAR
- Ato de tirar proveito da
bondade alheia. "A
pinta já foi se escalando
pro churras."
TÁ
BONITO, TÁ ORDEIRO
- Algo que está como
deveria. Em pleno
funcionamento. Numa boa.
TABACUDO
- Sujeito abobado, mangolão,
tanso.
TE
LIGA - Usado
para chamar a atenção do
indivíduo. "Te liga,
magrão".
UM
PÉ LÁ E OUTRO CÁ
- Advertência, geralmente
usada pelas mães, para
avisar a criatura para não
se demorar, porque senão
vai ter.
VAI
QUE É UM DODGE
- Diz -se de algo que vai
muito bem, que dá certo.
Vai que é uma beleza.
VARZEANO
- Adjetivo pejorativo para
suburbano, quase um chinelão.
De origem futebolística,
provavelmente.
VELHO
DO SACO - Ser
folclórico do imaginário
coletivo. Muito usado no
lugar do bicho-papão para
"incentivar" uma
criança a fazer algo.
"Pare de incomodar
senão eu te entrego pro
velho do saco". Hoje
algumas mães já usam a
Nazaré, da novela das
oito, com o mesmo efeito.
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Como
capital do Rio Grande do
Sul, Porto Alegre tem o
folclore gaúcho como cartão
de visitas. Homens fortes
e trigueiros, que vestem
bombachas e calçam botas
de couro, fazem par com
mulheres de longas saias
coloridas e flores nos
cabelos. Os gaúchos e
prendas, anfitriões
oficiais, convivem com
outros espécimes folclóricos,
representantes legítimos
das mais de 25 etnias
formadoras do povo,
especialmente alemã e
italiana. Apesar destas
culturas terem absorvido
parte dos costumes locais
e fornecido contribuições
importantes para a formação
do povo do Rio Grande do
Sul, o estereótipo do Gaúcho
é vinculado
principalmente ao chamado
"pelo duro" -
resultante da miscigenação
do índio com o lusitano.
Sua
língua é quase um
dialeto, entremeado de
palavras castelhanas. Fala
pausadamente e ri com
parcimônia, embora seja
afável na acolhida aos
forasteiros. Na intimidade
pode tornar-se conservador
e até fanfarrão. Os
bailes gaúchos - chamados
fandangos - são animadíssimos.
As mulheres têm fama de
belas e donas de forte
personalidade, apesar de
discretas.
O
lendário chimarrão gaúcho
é uma das muitas formas
de tomar mate - uma infusão
preparada com a chamada
"erva-mate". Os
índios guaranis
acomodavam a beberagem no
fruto da porongueira e a
sorviam em canudos de
taquara. O gaúcho
conservou a cuia de
porongo mas substituiu a
taquara por bombas de
metal.
O
mate predileto dos gaúchos
é o chimarrão, quente e
amargo. O chimarrão é um
ritual coletivo onde todos
compartilham a mesma bomba
e a mesma cuia. Seu
simples oferecimento a
alguém - sempre com a mão
direita - é um sinal de
apreço.
A
roupa do gaúcho - a
pilcha - é uma singular
composição de culturas
antagônicas. As botas de
couro, o chapéu e a boina
estilo basco são legados
portugueses e espanhóis.
A faixa na cabeça e o
poncho-pala foram herdados
dos índios missioneiros.
A bombacha tem origem
turca. O lenço de seda,
inventado pelo próprio gaúcho,
já revelou o
posicionamento político.
Menos complexos, os
vestidos das mulheres
ricas copiavam as indumentárias
européias feitas com
veludo e seda. Os cabelos,
normalmente recolhidos em
coques, eram enfeitados
com pentes espanhóis. As
pobres usavam saias e
blusas simples e adornavam
os penteados com flores.
Os figurinos acabaram
ganhando uma versão
florida de algodão - hoje
conhecidos como vestido de
prenda - popularizada na
Guerra do Paraguai.
Gaúchos
e prendas vestidos à caráter
podem ser encontrados nos
Centros de Tradição Gaúcha
(CTGs). Distribuídos por
todo o Estado e mesmo fora
dos limites do Rio Grande
do Sul, os CTGs são
associações civis
criadas para cultuar os
costumes gaúchos. Dentro
dos CTGs acontecem os
bailes, chamados Fandangos
- nome herdado das danças
portuguesas que mesclavam
canto e sapateado.
Aparentada
da música folclórica
uruguaia e argentina, a música
gaúcha é riquíssima. Os
temas são, quase sempre,
o campo, o cavalo e a
mulher amada. |