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Churrasco
Conta a lenda que o homem só descobriu o fogo porque precisava achar uma
forma de preparar um bom churrasco de dinossauro. Brincadeiras à parte. Logo após
a descoberta do fogo, o homem aprendeu a assar as carnes tornando-as dessa forma
mais saborosas, macias e de digestão mais fácil.
A
carne assada na brasa foi importante na formação do conceito de comunidade
pois, sua divisão era feita em torno da fogueira, normalmente, lugar onde as
pessoas se reuniam para comer.
Se
perguntar a um brasileiro quem é o criador do churrasco, ele certamente
responderá que é um gaúcho. Se perguntar a um argentino ele dirá que foi um
conterrâneo e, assim por diante.
Assar
carnes na brasa ou fogo tem sido um dos métodos mais utilizados pelo homem e as
mais diversas culturas se utilizam deste método de cozimento. Portanto o
churrasco é universal. Não podemos atribuir sua invenção a nenhum povo em
especial.
É
claro que algumas culturas são mais criativas do que outras, bem como algumas
regiões mais ricas em ingredientes. Isso sim faz a diferença e demonstra a
criatividade de cada cultura. Seriam necessárias várias paginas de texto para
falarmos tudo sobre churrasco e, mesmo assim, não sei se seria possível, pois
cada um tem um ponto de vista e uma verdade sobre o tema.
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| Churrasco
dos pampas
No
Rio Grande do Sul, o churrasco tradicional é feito em pedaços de carne
muito grandes e em fogo de lenha no chão. Os espetos de madeira são
cravados no chão, na diagonal e perto do fogo. Dali se tiram lascas das
partes externas mais assadas, enquanto as mais internas ficam assando.
O
fogo deve ser aceso bem antes do horário de servir as carnes, para se
obter um braseiro parelho e forte, com mais brasas do que fogo. Enquanto o
fogo é feito, pode-se preparar aperitivos para amigos e família. No sul,
o churrasco se come recém saído da brasa, na tábua do assador, aos
nacos, com farinha ou molhos, bem ou mal passado, conforme o gosto. Mas
há quem preferira seu próprio prato, completando-o com saladas e polenta
frita, por exemplo. |
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Quantidade de carne
Preparar
um bom churrasco nem sempre é uma tarefa fácil porque requer um certo
planejamento para que tudo saia conforme o esperado. Planeje o evento com uma
certa antecedência e não esqueça de preparar uma lista de compras com tudo
aquilo que irá utilizar. A escolha das carnes é importante. Dê preferência a
produtores conhecidos e carnes que tenham o selo de registro, isso garantirá
que você não ira comprar carnes de abatedouros clandestinos.
Basicamente,
para o preparo de um churrasco é necessário um bom corte de carne, sal e carvão
ou lenha. A conta para a quantidade de carne por pessoa é muito simples. Na
maioria dos casos, 300g de carne pura por pessoa são suficientes. Leve em conta
o tipo de corte, pois alguns podem conter ossos e gorduras.
Lembre-se
que além das carnes, há as guarnições para acompanhar a churrascada! Então,
não precisa ser tão preciso nas medidas.
Temperos
para o churrasco
Sal
grosso ainda é o tempero mais conhecido por aqui. Normalmente é salpicado à
carne para em seguida ser colocada na churrasqueira. Após estar bem assada,
bate-se de leve na carne para retirar o excesso de sal. Isso não impede de
colocar nossa criatividade em ação. Podemos acrescentar ervas, azeites,
marinadas, especiarias e, diga-se de passagem, algumas carnes ficam muito mais
saborosas quando bem temperadas.
Para
cortes bovinos magros, o sal grosso é uma boa opção. Não devemos esquecer de
acrescentar um toque de pimenta-do-reino moída na hora. Para os cortes maiores
e com maior teor de gorduras, pode-se colocar a carne para marinar em vinho com
ervas, cebola, alho e especiarias.
Cordeiro
combina com alho, com alecrim e com vinho branco, portanto uma marinada com
estes ingredientes valoriza o sabor da carne. Já a carne suína combina com
sabores levemente adocicados. Um bom lombo de porco pode ficar por uma 4 horas
marinando em suco de laranja ou abacaxi com paus de canela e alguns cravos-da-índia,
não se esquecendo de acrescentar algumas ervas frescas.
Pescados
em geral casam muito bem com limão, azeite de oliva, vinho branco e salsinha, e
colocar o peixe por uns 20 minutos nessa marinada irá realçar o sabor. Frango
combina com quase tudo, portanto pode-se variar as marinadas. Uma dica para o
frango ficar bem crocante, macio e suculento é coloca-lo de molho em salmora
preparada na proporção de uma colher de sopa de sal para cada xícara de água.
Cubra o frango e deixe repousando por 6 a 8 horas, depois escorra e coloque na
brasa.
Assando
a carne !
Se
a carne estiver congelada, deixe em temperatura ambiente por cerca de 12
horas.
Descongelar
com água ou microondas fatalmente irá afetar o sabor e a textura da
carne.
Carne
mal descongelada no fogo é desastre certo. Não adianta achar que o
calor vai terminar o descongelamento.
O
fogo cria na carne uma casca que impede o gelo de derreter, e o
resultado final são as famosas "molitas" (fêmea do tatu), ou
seja uma casca grossa e dura por fora e o bicho vivo por dentro!
A
carne maturada embalada a vácuo, deve ser aberta no mínimo 30 minutos
antes de ir pro fogo, para tirar um cheirinho peculiar à esse tipo de
carne. Costumo passar essas carnes pela torneira para tirar aquele
sangue escuro.
Colocar
carne no leite ou no outra substância para amaciar, é sacrilégio. Se
a carne é dura não serve pra churrasco e ponto final.
As
carnes grandes e sem osso vão para a grelha: Picanha, maminha, entrecot
(contrafilé). Costela, salsichão e medalhões de picanha assam melhor
em espetos.
A
polêmica entre grelha (não deixa a carne perder o suco) e o espeto
(permite posicionar a carne de qualquer lado), não deve ser levada à
ponta de faca. Já provei e assei picanhas inteiras feitas no espeto com
todo caldo e sabor. Mas já se estragou muita carne em grelha...
Fundamental
é a qualidade da carne e o trabalho com o fogo durante o assado.
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A
essa altura o time dos aflitos já está louco para salgar.... calma! O
sal antes do fogo endurece a carne.
Acenda
o fogo quando chegar o primeiro parceiro, para não correr o risco de
aprontar a carne antes do povo chegar. Assador com horário, achando que
é almoço, não se cria!
Fogo
pronto e parelho coloque as lingüiças e carnes menores mais em baixo e
as costelas, maminhas e picanhas no alto.
Deixe
as carnes pegarem cor e calor antes de salgar: tire do fogo e espalhe -
sem exagero - sal grosso ou médio por toda a carne. Para os mais
experientes a salmoura (água quente) é o ideal.
Volte
ao fogo e deixe branquear o sal.
Nunca
deixe a carne salgada antes de botar no fogo, é carne dura e seca na
certa! |
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Dicas de como servir
O
churrasco pode ser servido em duas etapas: uma com carnes que servem
como tira gosto e outra com os cortes mais nobres. Para começar, sirva
costelinhas de porco, lingüiças variadas e coração. Em seguida,
sirva os cortes maiores como a picanha, maminha e costela entre outras.
Cortes suínos como o lombo são uma boa opção. Mas, o ideal é não
misturar no mesmo churrasco carnes muito diferentes, pois nem sempre o
apetite é suficiente para experimentarmos todos os cortes.
Nem
só de carne bovina e suína vive uma churrasqueira. Ela também pode
ser abastecida com pescados e crustáceos em geral, cabrito, coelho e
outras carnes. Os pescados preparados na brasa são deliciosos,
principalmente peixes de água doce como o tambaqui, pintado e até
mesmo a truta.
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O
Chimarrão
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Origens
do Chimarrão
Roberto
Ave-Lallemant (1812-1884) visitando o Rio Grande do Sul em março de 1858,
registra a importância folclórica da erva-mate: "O símbolo da paz,
da concórdia, do completo entendimento – o mate! Todos os presentes
tomaram o mate. Não se creia, todavia, que cada um tivesse sua bomba e
sua cuia própria; nada disso! Assim perderia o mate toda a sua mística
significação. Acontece com a cuia de mate como à tabaqueira. |
Esta anda de nariz em nariz e
aquela de boca em boca. Primeiro sorveu um velho capitão. Depois um
jovem, um pardo decente – o nome do mulato não se deve escrever; depois
eu, depois o “spahi”, depois um mestiço de índio e afinal um português,
todos pela ordem. Não há nisso, nenhuma pretensão de precedência,
nenhum senhor e criado; é uma espécie de serviço divino, uma piedosa
obra cristã, um comunismo moral, uma fraternidade verdadeiramente nobre,
espiritualizada! Todos os homens se tornam irmãos, todos tomam o mate em
comum!"
(Viagem pelo Sul do Brasil, 1.º, 191. Rio de Janeiro, 1953). |
A
palavra chimarrão tem origens no vocabulário espanhol e português.
Do
espanhol cimarrón, que significa chucro, bruto, bárbaro, vocábulo
empregado em quase toda a América Latina, do México ao Prata, designando os
animais domesticados que se tornaram selvagens. "E assim, a palavra chimarrão,
foi também empregada pelos colonizadores do Prata, para designar aquela rude e
amarga bebida dos nativos, tomada sem nenhum outro ingrediente que lhe
suavizasse o gosto."
(Elucidário Crioulo, de Antonio Carlos Machado em História da Erva-Mate, de
Barbosa Lessa, 57).
Marron
em português, além de outros significados, quer dizer clandestino, e cimarrón,
em castelhano, tem idêntico significado. Ora, sabe-se que o comércio de mate e
o preparo da erva foram em tempos passados proibidos no Paraguai, o que não
impedia, entretanto, que clandestinamente continuasse em largo uso naquela então
colônia espanhola.
(Vocabulário Sul-Rio-Grandense, Luís Carlos de Morais, 72, em História da
Erva-Mate, de Barbosa Lessa, 57).
Lenda
da Erva-mate
Conta a
lenda da Erva–Mate que um velho guerreiro guarani vivia triste em sua cabana
pois já não podia mais sair para as guerras, nem mesmo para caçar e pescar,
vivendo só com sua linda filha yari, que o tratava com muito carinho,
conservando-se solteira para melhor dedicar-se ao pai.
Um dia,
Yari e seu pai receberam a visita de um viajante que pernoitou na cabana
recebendo seus melhores tratos. A jovem cantou para que o visitante adormecesse
e tivesse um sono tranqüilo, entoando um canto suave e triste.
Ao
amanhecer, o viajante confessando ser enviado de Tupã, quis retribuir-lhes a
hospitalidade dizendo que atenderia a qualquer desejo, mesmo o mais remoto. O
velho guerreiro, sabendo que sua jovem filha não se casara para não abandoná-lo,
pediu que lhe fosse devolvidas as forças, para que yari se tornasse livre.
O
mensageiro de Tupã entregou ao velho um galho de árvore de Caá, ensinando-lhe
a preparar uma infusão que lhe devolveria todo o vigor. Transformou ainda Yari,
em deusa dos ervais e protetora da raça Guarani, sendo chamada de Caá-Yari, a
deusa da erva-mate. E assim, a erva foi usada por todos os guerreiros da tribo,
tornando-os mais fortes e valentes.
Quando
os espanhóis por aqui chegaram, encontraram os índios guaranis dóceis e
receptivos, já então utilizando uma bebida que sorviam em cabaças por meio de
um canudo, preparada, com folhas de uma árvore nativa da região – chamada cáa
– dizendo que esta lhes havia sido dada pelo deus Tupã. De imediato os espanhóis
adquiriram este hábito e passaram a tomar o chimarrão, desde os soldados até
oficiais, sem distinção de classes sociais.
O
chimarrão, tradicional e salutar hábito do Rio Grande do Sul, é um símbolo
da hospitalidade do gaúcho, que oferece sempre a qualquer visitante.
Atualmente, é bebido em uma cuia onde depositamos um pouco de erva-mate já moída
e de onde sorvemos o líquido (água quente sem ferver), através de uma bomba
de metal.
O
costume de tomar chimarrão está bastante difundido, tanto no meio rural como
no urbano e faz parte da vida do gaúcho desde o amanhecer até a noite, quando
encerra suas tarefas do dia.
Benefícios
Análises
e estudos sobre a erva-mate têm revelado uma composição que identifica
diversas propriedades nutritivas, fisiológicas e medicinais no produto, o que
lhe confere um grande potencial de aproveitamento. O mestre em botânica Renato
Kaspary em publicação de 1991 sobre erva-mate e Eunice Valduga, em dissertação
para obtenção do grau de mestre (95), trazem várias informações a respeito.
Na
constituição química da erva-mate, aparecem:
Alcalóides (cafeína, metilxantina, teofilina e teobromina), taninos (ácidos fólico
e cafeico), vitaminas (A, Bi, B2, C e E), sais minerais (alumínio, cálcio, fósforo,
ferro, magnésio, manganês e potássio), proteínas (aminoácidos essenciais),
glicídeos (frutose, glucose, rafinose e sacarose), lipídeos (óleos essenciais
e substâncias ceráceas), além de celulose, dextrina, sacarina e gomas.
Assim,
considera Kaspary, "a erva- mate é considerada um alimento quase completo,
pois contém quase todos os nutrientes necessários ao nosso organismo".
Também
é extenso o rol de propriedades terapêuticas da erva-mate, de modo especial em
razão da presença de alcalóides, como a cafeína, na sua composição.
Destaca-se
principalmente que o mate é estimulante da atividade física e mental, atuando
beneficamente sobre os nervos e músculos eliminando a fadiga. Observa-se também
que estimulante do mate é mais prolongada que a do café, sem deixar efeitos
colaterais ou residuais como a insônia e irritabilidade. Por outro lado, a
erva-mate atua sobre a circulação, acelerando o ritmo cardíaco e harmoniza o
funcionamento bulbo-medular. Age também sobre o tubo digestivo, facilita a
digestão e favorece a evacuação e mictação. É considerada ainda um ótimo
remédio para pele e reguladora das funções do coração e da respiração, além
de exercer importante papel na regeneração celular.
O
chimarrão, segundo institutos de pesquisas internacionais, é um tônico
estimulante do coração e do sistema nervoso: elimina os estados depressivos,
conferindo ao músculo maior capacidade de resistência a fadiga, sem causar
efeitos colaterais. Após estudos realizados sobre os efeitos fisiológicos
exercidos pela erva-mate concluíram: O emprego da infusão aumenta as forças
musculares, desenvolve as faculdades mentais, tonifica o sistema nervoso,
regulariza e regenera as funções do coração e respiração, facilita a
digestão e determina uma sensação de bem estar e vigor no organismo, sem
acarretar depressões ou qualquer efeito colateral no organismo, como a insônia,
palpitações ou agitações nervosas provocadas por outras bebidas similares,
permite como bom alimento (natural) que sejam suportadas as fadigas e a fome.
A
erva-mate contém altas proporções de vitamina E, efetiva na regulação das
funções sexuais, além de ser um elemento indispensável para a pele. As análises
feitas com as folhas de erva-mate mostram que esta planta possui vitaminas,
aparecendo em maior escala as do complexo B; possui também cálcio, magnésio,
sódio, ferro e flúor, minerais indispensáveis a vida.
O
chimarrão é rico em ácido pantotênico, encontrado em menor escala na tão
propalada geléia real das abelhas, muito procurada pelas características
medicinais que possui.
A
Erva mate e o porongo
O
Porongo, propriamente dito, já era conhecido pelos Índios Guaranis no ano de
1580, quando então receberam os Jesuítas de Manoel da Nóbrega que prontamente
se apresentaram para vir ao Guairá. Eles serão os pioneiros da Companhia de
Jesus no Paraguai, eles, os Jesuítas da província de Portugal. Sofreram
rivalidades e acusações infundadas, prisão, ferro e humilhações.
Estiveram
quase perto de Porto Alegre, pois andaram na Aldeia dos Anjos (hoje Gravataí),
foram embrulhados devidamente pelo astuto Cacique Anjos, e só desistiram do sul
porque eles iam fatalmente entrar em choque de interesses com os Jesuítas
Castelhanos, que desde Lima, Peru, avançavam pelo sul e para o leste.
Pois
foi no Guairá que os Jesuítas encontraram a “Erva do Diabo” uma droga que
tirava o cansaço dos índios e fazia com que não sentissem a fome e até
excitava-os sexualmente.
Era
muito fácil fazer o tal chá. Primeiro, os índios colhiam a erva no mato ("Caa",
em Guarani, quer dizer tanto mato como erva), sapecavam ligeiramente as folhas
com os restinhos dos galhos segados, amarravam um feixe com essas ramas por cima
do fogo e alí ficava tudo, balanceando e ressecando devidamente. Quando as
folhas estavam estalando e se rachando, era só socá-las num pilão de madeira
dura com um toco longo, fino e cabeçudo, chamado de "Mão de Pilão."
Tinha-se assim, e em menos de uma semana, erva pronta para o preparo do tal chá
Guarani.
Era
assim: O índio pegava o fruto de uma planta (Legionária Vulgaris, uma das
cucurbitáceas, portanto parente da velha abóbora campeira) chamada de "Porongo",
em forma de oito. À parte de cima, a parte menor do oito, era cortada e
deixada para secar. Então ficava pronta a cuia, recipiente do tal chá.
Plantio
O
plantio do porongo se dá nos meses de Julho, Agosto, Setembro e raramente em
Outubro.
A
primeira colheita se faz no mês de Janeiro quando o Porongo já está lorando
(ficando maduro) e pronto para ser raspado manualmente ou no escovão de aço,
permitindo assim uma cor amarelada. Nesses casos, o Porongo deve ter uma atenção
redobrada no processo de secagem para não "xuringar" (encolher,
retorcer-se), outra maneira é deixar o Porongo secar na lavoura, aonde a
colheita se faz lá pelo mês de maio, permitindo uma secagem uniforme e
homogenia. Começa aí, o processo de beneficiamento do Porongo para transformá-lo
em cuia.
Beneficiando
o porongo
Após a
colheita, corta-se o Porongo na parte de cima, separando-se a cuia da parte de
baixo do Porongo, chamada de “Bunda do Porongo.”
Já com
a cuia extraída do Porongo, coloca-se a mesma em estaleiro e a sombra onde
circula corrente de ar, para não rachar e perder seu cheiro característico. Após
isso, em primeiro lugar fura-se o centro da cuia retirando do seu interior, o
bagaço mole até chegar na parede dura da cuia, após, lixa-se a aba ou bocal e
seu interior deixando-a bem lisinha.
A parte
do acabamento fica por conta de uma boa cera de polir, em um motor de alta rotação
para dar brilho uniforme. Temos então, uma cuia lisa e polida.
A
cuia
A cuia
dentre os apetrechos do mate, é a mais cantada e declamada pelos poetas
sulinos. A cuia, que deve ser sempre de Porongo e, prefencialmente, o Porongo
grosso ou doce, é o recipiente mais adequado para o Mate ou chimarrão do gaúcho,
já que não modifica o seu sabor, não permite que a erva fique lavada
precocemente, e não alterando ainda, a temperatura da água.
Existem
cuias, confeccionadas de outros materiais, tais como madeira, barro cozido,
porcelana, vidro e até de plástico, que foram diferentes tentativas de se
buscar outros recipientes para o mate, em períodos diversos da história.
Tentativas essas que restaram frustradas, já que nenhum se mostrou capaz de
competir com o velho Porongo, descoberto pelos Índios Guaranis e conservado
hediornamente, como vasilha ideal para o mate, cujo plantio é intensificado ano
após ano, já que o hábito de matear continua fazendo adeptos.
Escolhendo
uma boa cuia
Para se
escolher uma boa cuia, quer para chimarrão, quer para mate-doce, deve-se
primeiramente levar em consideração o tipo de Porongo "Casco Grosso e
Doce" que é de uma variedade mais apropriada ao mate. Se para matear
sozinho, uma cuia pequena, para matear duas ou três pessoas, uma cuia média,
para matear em rodas de chimarrão, usa-se uma cuia grande.
Como
curar a sua cuia de porongo
Para
curar a cuia de Porongo, é necessário que a mesma seja cheia antes do seu uso,
com água quente, não fervida, e cinza de lenha de fogão ou lareira, para
eliminar fungos ou bactérias, evitando mofo e ainda, enrijecer o casco,
deixando-se por aproximadamente 24 horas, completando-se a água sempre que
absorvida pelo Porongo até o bocal da cuia. Após, a cuia deve ser lavada em água
corrente deixando-se secar por 72 horas, na sombra e em local ventilado.
Finalmente, colocam-se novamente, duas a três colheres de sopa de erva-mate
nova de sua preferência e água quente (não fervida) para não trincar ou
rachar a cuia, e para curtir a cuia parelha.
Após,
novamente, deixa-se secar por mais 48 horas; o ideal é repetir o processo por
duas ou três vezes.
Conservando
sua cuia de porongo
Uma
cuia bem curada é um processo que deve durar de 12 a 15 dias, exigindo-se muito
cuidado e carinho, pois esta não pode cair no chão, não deve ficar exposta ao
sol, e deve ser bem lavada e enxugada com um pano de algodão.
Para se
conservar uma cuia de Porongo sempre boa, sem azedar ou alterar o gosto do mate,
é necessário tomar alguns cuidados, tais como: Primeiramente, a cuia não deve
ser envernizada ou pintada externamente, deve ser polida com cera para dar
brilho natural ao Porongo.
A cuia
depois de curada, não pode ser usada diariamente, de forma contínua. O ideal,
é que se use a cuia em um dia e outro não, deixando sempre secar em local
arejado e na sombra, não podendo ficar com a boca para baixo, para não mofar.
Fonte: 500 Anos de
História da Erva-Mate
Autor: Dorival Berkai e Airton Braga
Editora do Cone Sul
3ª ED. História da Erva-Mate Barbosa Lessa / Sulina Porto Alegre - RS
1986
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Preparando
o Chimarrão
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1º
Coloque a erva dentro da cuia.
Incline-a um pouco e abafe com a mão em diagonal.
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2º
Coloque água morna com muito
cuidado e com a cuia inclinada e deixe o erva absorver toda a água.
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3º
Ainda com a cuia inclinada, coloque a bomba devagar. Deve-se tapar com o
dedo o bico da cuia na inserção.
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4º
Arrume a bomba conforme o seu gosto, não esquecendo de virar o bico da
bomba para o lado de fora da cuia.
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Pronto
! Agora é só saborear o seu autêntico CHIMARRÃO.
10
Mandamentos do Chimarrão
Pércio de Moraes Branco
Almanaque Tchê
NÃO
PEÇAS AÇÚCAR NO MATE
O
gaúcho aprende desde piazito que e por que o chimarrão se chama também mate
amargo ou, mais intimamente, amargo apenas.
Mas,
se tu és dos que vêm de outros pagos, mesmo sabendo poderás achar que é
amargo demais e cometer o maior sacrilégio que alguém pode imaginar neste
pedaço do Brasil: pedir açúcar. Pode-se pôr na água ervas exóticas, cana,
frutas, cocaína, feldspato, dólar etc, mas jamais açúcar.
O
gaúcho pode ter todos os defeitos do mundo mas não merece ouvir um pedido
desses. Portanto, tchê, se o chimarrão te parece amargo demais não hesites:
pede uma Coca-Cola com canudinho. Tu vais te sentir bem melhor.
NÃO
DIGAS QUE O CHIMARRÃO É ANTI-HIGIÊNICO
Tu
podes achar que é anti-higiênico pôr a boca onde todo mundo põe.
Claro
que é. Só que tu não tens o direito de proferir tamanha blasfêmia em se
tratando do chimarrão. Repito: pede uma Coca-Cola com canudinho.
O
canudo é puro como água de sanga (pode haver coliformes fecais e estafilococos
dentro da garrafa, não no canudo).
NÃO
DIGAS QUE O MATE ESTÁ QUENTE DEMAIS
Se
todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, é porque ela é
perfeitamente suportável por pessoas normais.
Se
tu não és uma pessoa normal, assume e não te fresqueies.
Se,
porém, te julgas perfeitamente igual às demais, faze o seguinte: vai para o
Paraguai. Tu vais adorar o chimarrão de lá.
NÃO
DEIXES UM MATE PELA METADE
Apesar
da grande semelhança que existe entre o chimarrão e o cachimbo da paz, há
diferenças fundamentais. Com o cachimbo da paz, cada um dá uma tragada e
passa-o adiante. Já o chimarrão, não. Tu deves tomar toda a água servida,
até ouvir o ronco de cuia vazia. A propósito, leia logo o mandamento seguinte.
NÃO
TE ENVERGONHES DO "RONCO" NO FIM DO MATE
Se,
ao acabar o mate, sem querer fizeres a bomba "roncar", não te
envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar mal-educado. Este negócio
de chupar sem fazer barulho vale para Coca-Cola com canudinho, que tu podes até
tomar com o dedinho levantado.
NÃO
MEXAS NA BOMBA
A
bomba do chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela mesma, da erva
ou de quem preparou o mate. Se isso acontecer, tens todo o direito de reclamar.
Mas, por favor, não mexas na bomba.
Fale
com quem lhe ofereceu o mate ou com quem lhe passou a cuia.
Mas
não mexas na bomba, não mexas na bomba e, sobretudo, não mexas na bomba.
NÃO
ALTERES A ORDEM EM QUE O MATE É SERVIDO
Roda
de chimarrão funciona como cavalo de leiteiro. A cuia passa de mão em mão,
sempre na mesma ordem. Para entrar na roda, qualquer hora serve mas, depois de
entrar, espera sempre tua vez e não queiras favorecer ninguém, mesmo que seja
a mais prendada prenda do Estado.
NÃO
"DURMAS" COM A CUIA NA MÃO
Tomar
mate solito é um excelente meio de meditar sobre as coisas da vida.
Tu
mateias sem pressa, matutando, recordando... E, às vezes, te surpreende até
imaginando que a cuia não é cuia mas o quente seio moreno daquela chinoca
faceira que apareceu no baile do Gaudêncio... Agora, tomar chimarrão numa roda
é mui diferente.
Aí
o fundamental não é meditar e sim integrar-se à roda.
Numa
roda de chimarrão, tu falas, discutes, ri, xingas, enfim, tu participas de uma
comunidade em confraternização.
Só
que esta tua participação não pode ser levada ao extremo de te fazer esquecer
da cuia que está em tua mão.
Fala
quanto quiseres mas não esqueças de tomar teu mate, que a moçada tá
esperando.
NÃO
CONDENES O DONO DA CASA POR TOMAR O 1º MATE
Se
tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e tomar ele
próprio o primeiro, saibas que grosso é tu. O pior mate é o primeiro e quem o
toma está te prestando um favor.
NÃO
DIGAS QUE CHIMARRÃO DÁ CÂNCER NA GARGANTA
Pode
até dar. Mas não vai ser tu, que pela primeira vez pegas na cuia, que irás
dizer, com ar de entendido, que chimarrão é cancerígeno. Se aceitaste o mate
que te ofereceram, toma e esquece o câncer. Se não der para esquecer, faze o
seguinte: pede uma Coca-Cola com canudinho, que ela... etc, etc.
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